Autores: Anelize Felicio Ramos (UDESC, [email protected]), Franciane Batista (UDESC, [email protected]), Leonardo Antônio Fernandes (UDESC, [email protected] ), Anderson Albino Gomes (UDESC, [email protected]), Bruna Andersen (UDESC, [email protected]), Mylena Fernandes, (UFSC, [email protected]) Everton Skoronski (UDESC, [email protected]), Maria de Lourdes Borba Magalhães (UDESC, [email protected] ) e Gustavo Felippe da Silva (UDESC, [email protected]).

Resumo: O biodiesel além de um caráter mercadológico, possui base social e ambiental, sendo considerado uma fonte energética renovável com diversificação de matérias primas e de meios de produção. A valorização dos co-produtos da cadeia produtiva do biodiesel fortalece o caráter sustentável e agrega valor com inovações empreendedoras no uso de resíduos vegetais oriundos do processamento da matéria prima. Das matérias primas utilizadas, o óleo de soja (Glycine max L.) destaca-se na produção industrial, em dezembro de 2018 equivalente a 67,75% na produção nacional de biodiesel (ANP,2018).

Dos subprodutos gerados na indústria da soja, a casca da soja corresponde certa 2% da massa total do grão. Este tegumento é obtido previamente por separação, durante o processo de extração do óleo, em descascadores com batedores ou facas giratórias, os cotilédones são separados por peneiras vibratórias e insuflação de ar. Este subproduto, geralmente é destinado para alimentar as caldeiras, como
complemento ao ajuste do teor de proteína do farelo ou comercializadas. O mercado das cascas, emprega-se principalmente como suplemento para ração animal, mas pode ter outros fins energético e na produção de novos materiais, como produção de etanol 2G, microfibrilas, fibra dietética, produção de medicamentos, ou ainda na exploração do uso da peroxidase extraída da casca, em aplicações com maior valor agregado como uso no mercado diagnóstico (Ferrer et al. 2016; Silva, et al. 2019).
A produção de enzimas a partir de resíduos agroindústrias é uma alternativa para a redução de custos na produção de biocatalisadores. A soja é considerada uma rica fonte de peroxidase, e devido a grande versatilidade da soja no mercado mundial, é uma alternativa de extração de baixo custo (SILVA et.al., 2013). A peroxidase da casca da soja (SBP) é uma heme proteína, capaz de oxidar varias substâncias fenólicas e amidas aromáticas. Tem estrutura similar a horseradish peroxidase (HRP) a peroxidase mais estudada e utilizada atualmente, com grande aplicação em processos de biorremediação no tratamento de águas residuárias, biocatalises, e considerada uma commodity de maior valor quando aplicada em teste diagnósticos, como o teste de ELIZA, sistemas de detecção de DNA e produção de medicamentos quando purificada ou em conjunções distintas em peroxidases recombinantes na engenharia proteica (Steevensz, 2013; Wang et al., 2017; Wu et al. 2017). A uso de enzimas em técnicas analíticas é abrangente, e buscando relacionar o uso de extrato vegetais como fonte de enzimas, une a seletividade da reação enzimática com a redução do custo do reagente, o que em comparação à enzimas comerciais é uma combinação vantajosa (Bueno e Pereira, 2015). Com o aumento da demanda de biodiesel em misturas ao diesel, a geração de resíduos e co-produtos também aumenta. Assim sendo a seleção, caracterização e transformação química destes resíduos, contribui ambiental e economicamente. O objetivo deste trabalho foi extrair e purificar a peroxidase da casca de soja, para em trabalhos futuros caracterizar e empregá-la em teste imunodiagnóstico.

7° Congresso da Rede Brasileira de Tecnologia e Inovação de Biodiesel pg 335