Autores: Caroline Varella Rodrigues (Instituto de Química, UNESP – Araraquara-SP, [email protected]), Lorena Oliveira Pires (Instituto de Química, UNESP – Araraquara-SP, [email protected]), Sandra Imaculada Maintinguer (Instituto de Pesquisa em Bioenergia, UNESP – Rio Claro-SP, UNIARA – Universidade de Araraquara-SP, [email protected])

Resumo: A produção de biodiesel mundial quintuplicou de 2007 para 2009, sendo atingidos atualmente 36 milhões de m3 (César et al., 2019). No Brasil, sua produção tem sido encorajada por leis governamentais (Lei 13.263/2016), estipulando porcentagens gradativas deste biocombustível à matriz energética brasileira, correspondendo a 11% de biodiesel adicionado ao óleo diesel (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, 2019). O Brasil produziu em 2018 cerca de 5.34 milhões de m3 de biodiesel (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, 2018). Acompanhado a essa produção, o glicerol bruto (GB) tem sido gerado como coproduto, sendo 10 kg de GB para cada 100 kg de biodiesel produzidos, estimando-se para 2018 uma geração de 0.53 milhões de m3 de GB. Assim, grandes estoques de GB estão sendo formados devido à grande dificuldade em ser absorvido pelas indústrias que poderiam fazer o seu consumo, como a farmacêutica e a alimentícia, já que ele contém várias impurezas como metanol, sabão e ácidos graxos livres, sendo sua purificação um processo caro e inviável.

Várias matérias-primas podem ser empregadas para a produção do biodiesel, ganhando destaque a utilização de óleos residuais domésticos (correspondendo a 1,29% da produção nacional) uma vez que reduz os custos da produção deste biocombustível de 60-70%, além de consistir em uma aplicação ambientalmente sustentável, evitando sua disposição inadequada nos meios aquáticos e aterros sanitários.

Diante deste cenário, surgem as necessidades de serem desenvolvidos usos alternativos para o GB. Desse modo, o uso deste resíduo em plantas de digestão anaeróbia se mostra uma solução promissora, gerando tanto biometano (CH4) como última etapa da digestão anaeróbia,além de produtos com valor agregado como o 1,3-propanodiol (1,3-PD) (usado na formulação de polímeros, aditivos e tintas) gerado durante a rota redutiva de fermentação do GB. Codigerindo o GB em resíduos orgânicos agroindustriais como a vinhaça citrícola (VN) facilitaria, portanto, o seu consumo pelos microrganismos, diluindo compostos tóxicos encontrados neste resíduo além de aumentar a geração dos subprodutos e biometano de interesse comercial. O objetivo desse trabalho consistiu na utilização do GB, proveniente da transesterificação de óleo residual doméstico na produção de biodiesel, por meio de biossistemas em dois estágios sequenciais, fermentativo (acidogênese) (para a geração de 1,3-PD) e metanogênico (geração de CH4). Essa matriz foi testada em reatores anaeróbios em batelada, codigeridos em VN da indústria do processamento do bagaço da laranja, a fim de melhorar a produção de 1,3-PD e biometano, elevando as taxas de remoção de matéria orgânica nele contida.

Trabalho completo: 7° Congresso da Rede Brasileira de Tecnologia e Inovação de Biodiesel, p. 299