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A tendência para o mercado global de biodiesel é focar nos mercados internos, afirmou o presidente da Evonik (multinacional de produtos químicos), Marcos Salgueiro. Em sua apresentação sobre a produção e uso de biodiesel no mundo, durante a Conferência BiodieselBR no início de novembro (06/11), Marcos destacou que os dois maiores casos de sucesso neste setor vêm do Brasil e da Indonésia.

Ambos os países têm implementado mandatos de mistura biodiesel ao óleo diesel, e aumentado o percentual do biocombustível, permitindo maior agregação de valor à produção local e estimulando o crescimento da indústria nacional.

“A Indonésia tinha uma estratégia muito parecida com a Argentina e foi mudando ao longo do tempo. O mercado de biodiesel era focado em exportações para a Europa, mas, com as sanções que sofreram em 2015, tiveram que implementar mandatos locais mais altos para dar uma destinação ao óleo de palma, produzido em excesso”, contou Marcos.

No caso do Brasil, ele destacou o cronograma para o B15, sancionado no início do mês, estabelecendo a evolução da mistura obrigatória de biodiesel ao óleo diesel vendido no país em 1% ao ano até alcançar 15% em 2023. “O Brasil está no caminho certo ao desenvolver o mercado local, porque todos os países que tentaram exportar no passado tiveram problemas e continuam ainda sem muita saída”, ressaltou.

Segundo Marcos, com as medidas protecionistas, as exportações de biodiesel tendem a cair e os países vão tentar se proteger cada vez mais. “Muitos já deixaram de importar biodiesel, e isso vai continuar. O sucesso para o biodiesel vai ser local. O Brasil está colocando B15, a Indonésia B30, e todos estão focando cada vez mais no seu próprio país”.

Ele também analisa que o uso de biodiesel vai continuar crescendo no mercado global, porque, além de ser uma fonte sustentável de energia, ele também é um mecanismo eficiente para controlar oferta e demanda de óleos no mercado. “Na Ásia e nos EUA, por exemplo, quando tem muito óleo disponível, eles aumentam a produção de biodiesel e conseguem controlar o preço de óleo vegetal no mundo. Então não é só uma razão sustentável, mas também um mecanismo econômico para o mundo manter os preços de óleos vegetais alinhados”, explicou.