Estruturação de cadeia de valor para o bioquerosene, 2ª fase do Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel (PNPB) e incentivo ao uso de matérias-primas do Norte e Nordeste na produção de biocombustíveis foram destaques no encontro

Representantes da Ubrabio (União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene) estiveram, nesta quinta-feira (04), em reunião com o novo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Armando Monteiro, para apresentar a entidade e as principais demandas do setor em relação ao biodiesel e bioquerosene.

Durante o encontro, o presidente do Conselho Superior da Ubrabio, Juan Diego Ferrés, falou sobre o reconhecimento internacional do Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel (PNPB), que é destaque no mundo em inclusão produtiva, e a necessidade de um novo Marco Regulatório que dê previsibilidade para o avanço da participação do biodiesel na matriz energética brasileira, além da intensificação de políticas de incentivo que fortaleçam o desenvolvimento regional, especialmente nas regiões Norte e Nordeste.

A Ubrabio apresentou considerações para que o MDIC dê encaminhamento à viabilização do B20 Metropolitano, projeto que propõe o uso da mistura de 20% de biodiesel ao diesel fóssil (B20) no transporte coletivo urbano em grandes cidades e regiões metropolitanas. O B20 Metropolitano vem sendo incentivado pela Ubrabio desde sua fundação, em 2007, pois o teor de 20% de biodiesel adicionado ao óleo fóssil tem ação efetiva na melhoria da saúde humana, quando a população passa a respirar um ar mais puro, e reduz os gastos públicos com internações e outros custos sociais decorrentes da poluição.

Recentemente, a entidade propôs a adoção do B20 Metropolitano aos prefeitos das 40 cidades brasileiras com mais de 500 mil habitantes – aglomerados que sofrem mais intensamente com a poluição atmosférica.

Em relação ao bioquerosene, o diretor de Biocombustíveis de Aviação da Ubrabio, Pedro Scorza, representante da GOL Linhas Aéreas, enfatizou o objetivo de estruturar um uma nova cadeia de valor – os combustíveis renováveis de aviação. Scorza pontuou que o Brasil já tem uma unidade produção capacitada, mas que é uma indústria que está muito pautada no futuro.

Ao longo dos últimos três anos, foram realizados mais de 365 vôos usando bioquerosene no Brasil. Durante a Copa do Mundo no Brasil, a GOL realizou uma série de vôos verdes utilizando a mistura de bioquerosene adicionado ao querosene fóssil. Segundo Scorza, a intenção é fazer uma grande campanha para utilização do biocombustível também nas Olimpíadas 2016.

Para o diretor de Biocombustíveis de Aviação da Ubrabio, após o sucesso do etanol e do biodiesel, o bioquerosene deve ser o próximo passo do Brasil na utilização de combustíveis renováveis.

Norte e Nordeste

O potencial de produção das palmáceas na região Norte e das oleaginosas no Nordeste permite agregar valor a essas matérias-primas para a produção do biodiesel, impulsionando o desenvolvimento regional da agricultura e da indústria nas regiões menos favorecidas. Este desenvolvimento é um dos um dos objetivos delineados na concepção do PNPB, mas não recebe ações efetivas nessa linha de forma sistemática.

A Ubrabio recomendou ao MDIC a promoção do incentivo à produção de biodiesel com matéria-prima local, contribuindo para a inserção do Norte e Nordeste na cadeia de valor, minimizando diferenciados custos logísticos com as demais regiões do país.

OGRs

Outro ponto ressaltado na audiência foi o crescente aproveitamento de óleos e gorduras residuais (OGR) como matéria-prima na produção de biodiesel: as gorduras animais (sebo bovino, gordura de porco e de aves) que já alcançam cerca de 20% do total de matérias-primas e do óleo de fritura usado, utilizado na ordem de 1% do total das matérias-primas destinadas ao biodiesel. Esses dois grupos de OGR intensificam ainda mais o caráter sustentável do PNPB pela destinação adequada de resíduos que outrora eram passivos ambientais e agora são usados na produção de combustível renovável.

Agenda positiva

Para a os representantes da Ubrabio presentes na reunião, as propostas foram muito bem recebidas por Monteiro, que expressou considerar o PNPB muito interessante, e comentou que a dimensão regional do programa dentro da pauta apresentada pela Ubrabio enobrece a própria pauta do ministério. O ministro manifestou, ainda, a intenção de ampliar a inserção do MDIC nas discussões que envolvam o PNPB em conjunto com outros órgãos de governo que possuem relação com o tema, especialmente o Ministério de Minas e Energia, Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento, Ministério do Desenvolvimento Agrário e Casa Civil.

“A impressão da Ubrabio é a de que o ministro, que é egresso do setor industrial e nordestino, possui a sensibilidade para colaborar no aperfeiçoamento de políticas e estratégias para o biodiesel e na criação de um novo setor – o de bioquerosene”, ressaltou a entidade.


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