Com posicionamentos da Secretaria da Agricultura do RS e da Ubrabio, debate aponta como o avanço do biodiesel barateia a alimentação animal e diminui gastos do país.
O fortalecimento do segmento de biocombustíveis no Rio Grande do Sul está reformulando a integração entre o cultivo de grãos e a pecuária local. Durante painel sobre segurança energética realizado na Expointer, representantes do setor e do poder público debateram como o processamento de oleaginosas gera farelo para a alimentação animal, barateando insumos para a criação de aves, suínos e bovinos.
Integração entre energia e proteína animal
O secretário da Agricultura do Estado, Márcio Madalena, destacou a relação direta entre o processamento de insumos agrícolas e a nutrição da pecuária. Segundo o gestor, os resíduos derivados da fabricação do biodiesel ampliam a oferta de farelo no mercado local. Ao comentar a sinergia entre os setores, Madalena afirmou que “o que engorda o frango, engorda os combustíveis”.
O secretário acrescentou que a presença de usinas regionais traz reflexos diretos no rendimento do setor agropecuário. De acordo com Madalena, o Rio Grande do Sul e o país se encaminham para a consolidação como avalistas globais da agroenergia, indo além do suprimento agroalimentar.
Capacidade industrial e impacto financeiro
A perspectiva de crescimento industrial e o aproveitamento da estrutura instalada também ganharam relevância nas avaliações da União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio). Manuel Viveiros, coordenador do Grupo de Trabalho de Usos Alternativos de Biodiesel da Ubrabio e head comercial da Binatural, recordou que a fabricação nacional do combustível renovável passou de 4 bilhões para 10 bilhões de litros anuais em uma década. Atualmente, o potencial das indústrias instaladas alcança 15 bilhões de litros por ano.
Viveiros ressaltou que a elevação da mistura obrigatória ao combustível convencional pode diminuir a dependência de produtos importados. Conforme seus dados, a adição de um ponto percentual de biodiesel na mistura tem capacidade de cortar até R$ 8 bilhões em despesas com subsídios à importação de diesel fóssil. O especialista apontou ainda que o uso do biocombustível deve se expandir para outros segmentos além do transporte rodoviário, aproveitando o potencial produtivo dentro e fora das propriedades rurais.