31/10/2019 – O secretário de Políticas para Formação e Ações Estratégicas do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), Marcelo Morales, anunciou na última semana (24/10) o projeto “Oportunidades e Desafios da Bioeconomia”. A iniciativa consiste em um estudo que será feito pelo Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), organização social do ministério, que vai apontar caminhos para o Brasil criar uma Política Nacional de Bioeconomia.

O lançamento foi feito em Brasília durante a 16ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT), que nesta edição possui o tema “Bioeconomia: Diversidade e Riqueza para o Desenvolvimento Sustentável”. Segundo Morales, o Brasil possui iniciativas de referência no tema, como a Embrapa e o Pro-Álcool. A ideia do estudo é traçar um diagnóstico amplo para indicar oportunidades de crescimento sustentável do setor.

“Nós estamos fazendo muita coisa em bioeconomia baseadas em nossa biodiversidade, que é um ativo estratégico do Brasil, e precisamos explorar isso de forma sustentável. Para isso, precisamos fazer um diagnóstico do que temos, o que fazemos hoje e o que precisamos fazer para avançar no desenvolvimento da bioeconomia, que é o nosso futuro”, explicou.

O projeto terá duração de um ano e contará também com a realização de oficinas de trabalho com a participação de diversos atores do setor, consultas públicas e a elaboração de documentos-base que vão subsidiar as ações do MCTIC para o setor de bioeconomia, como a proposição de uma instância de governança e um centro de inteligência. Ao final do projeto, está prevista a realização da primeira Conferência Nacional de Bioeconomia.

Para a diretora do CGEE, Regina Silvério, a ideia do estudo é criar uma metodologia que deixe clara a conceituação de bioeconomia e quais ferramentas o Brasil possui para avançar nesse campo. “Nós vamos desenvolver uma metodologia olhando as capacidades e competências que o Brasil tem na academia, no Sistema Nacional de Ciência e Tecnologia, desafios e oportunidades que a economia global nos oferece. Vamos construir junto com o ministério essa estratégia nacional para que vire uma política pública”, afirmou.

O professor Joaquim Machado, da Universidade de São Paulo (USP), explicou que estudos e órgãos internacionais já apontam que a bioeconomia é o futuro. “Dos campos ligados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, nenhum deles dispensa a bioeconomia. Um estudo deste ano do Fórum Econômico Mundial, que trata das 10 tecnologias emergentes mais importantes, mostra que 6 delas são do campo da bioeconomia. Esse é um indicador muito claro para onde devemos navegar”, demonstrou.

Bioeconomia não é alternativa, é o caminho, afirma pesquisador do Ibict

A adoção da bioeconomia é um caminho sem volta, mas é necessário o uso de métricas que orientem as formas mais sustentáveis de produção. A afirmação é do pesquisador do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict) Thiago Rodrigues, que apresentou, na Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT), em Brasília, o conceito de Avaliação do Ciclo de Vida (ACV).

“A bioeconomia é baseada nos ciclos biológicos. O que eles têm de interessante é que não existe o conceito de resíduo. Isso é algo que a gente inventou por ineficiência. A bioeconomia, na minha visão, não é uma alternativa à economia tradicional. Ela é o caminho. A gente tem que seguir esse caminho porque não tem recurso suficiente que atenda a demanda de uma população de 9 bilhões de pessoas daqui a poucos anos”, alertou.

A Avaliação do Ciclo de Vida é uma ferramenta que permite medir os recursos naturais gastos e impactos ambientais causados por um produto desde a extração da matéria prima até o descarte. Segundo Rodrigues, não existe ação humana que não gere um impacto, mas é possível medir as consequências de uma cadeia de produção e avaliar as alternativas mais sustentáveis.

Para esse objetivo, o Ibict, que é vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), é o gestor do banco de dados nacional de inventários de ciclo de vida, além de atuar em parceria com empresas para promover a ACV como ferramenta para medir a sustentabilidade de produtos.

“A ideia da ACV é identificar pontos críticos no sistema produtivo de forma a tomar decisões que vão melhorar o desempenho ambiental, econômico e social dos produtos. O Brasil é um dos poucos países que tem um banco de dados nacional. Nós participamos de uma rede internacional que engloba outros bancos de dados e, graças ao trabalho que o Ibict tem feito, a gente tem um protagonismo muito forte e é referência no mundo”, diz Rodrigues.

Fonte: MCTIC

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