O ministro de Minas Energia, Bento Albuquerque, anunciou ontem à noite que os testes para a implementação da mistura obrigatória de 11% de biodiesel no diesel fóssil no país deverão ser concluídos em julho. ainda não há data marcada para a efetiva adoção do novo percentual.

De acordo com o cronograma do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), o B11 está previsto para entrar em vigor em junho próximo.

Devido a testes com resultados negativos feitos nos últimos meses, porém, a indústria automobilística recomendou que o aumento da mistura fosse adiado. O atraso incomodou os produtores de biodiesel, que ficarão com maior ociosidade caso o novo percentual não seja adotado no prazo previsto.

Agora, a expectativa das empresas do segmento é que o B11 seja oficializado em julho, mas há quem diga que o incremento poderá ficar para setembro.

“Construímos e viabilizamos agora as condições necessárias para a mistura B11. Sua implementação será feita após estudos de curta duração sobre aditivação do biodiesel no Instituto Nacional de Tecnologia (INT).

Isso deverá ser concluído nos próximos dois meses”, disse Albuquerque no lançamento da Frente Parlamentar Mista do Biodiesel. A ministra Tereza Cristina, da Agricultura, também participou do evento.

O ministro explicou, ainda, que os testes científicos vêm sendo discutidos entre a Anfavea, a Agência Nacional do Petróleo (ANP), entidades da cadeia do biodiesel (Ubrabio, Aprobio e Abiove) e Sindipeças. Segundo ele, os resultados dos estudos serão analisados pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e, a partir daí, a ANP poderá revisar a especificação do biodiesel com o objetivo de aumentar a estabilidade na mistura com o diesel e aumentar a vida útil do combustível em todas as etapas de comercialização.

“Com o B11, vamos substituir diretamente cerca de 600 milhões de litros de diesel importado por biodiesel nacional, produzido a partir de matérias-primas cultivadas no país e com geração de investimento, emprego e renda no Brasil”, afirmou o ministro.

O problema é que o próximo leilão para comercialização de biodiesel já está marcado para julho. E, caso o B11 não seja implementado, poderá haver risco ainda maior de sobreoferta do produto no mercado, o que pode levar algumas empresas a suspenderem a produção, alertou a Ubrabio.

Atualmente, há 50 indústrias autorizadas a produzir o biocombustível, e em 2019 a oferta conjunto deverá alcançar 6 bilhões de litros. Assim, as indústrias defendem a implementação imediata do B11, conforme prevê o cronograma de aumento de 1% ao ano no teor de mistura, previsto em 15% em 2023.

Fonte: Valor Econômico

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