imprimir

O uso de biodiesel em máquinas agrícolas pode reduzir significativamente as emissões de gases de efeito estufa da agropecuária brasileira. Os dados foram apresentados pelo diretor superintendente da Ubrabio (União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene), Donizete Tokarski, durante o I Seminário Internacional Resiliência Climática e Descarbonização da Economia, nesta quarta-feira (14).

O setor de cana, por exemplo, ocupa hoje no Brasil 9,5 milhões de hectares e produz 690 milhões toneladas por ano. Para isso, as máquinas agrícolas consomem 690 milhões de litros de diesel anualmente. Se essas máquinas utilizassem o B30 (30% de biodiesel adicionado ao diesel fóssil), conforme já autorizado por lei, o resultado seria 383 milhões de toneladas de CO2 evitadas. Isso equivale ao plantio de 2,8 milhões de árvores por ano, ou seja, 295 árvores para cada mil hectares processados com B30.

“Cada colheitadeira de cana utilizando B30 reduz 78 toneladas de CO2 por ano, o que equivale a 570 novas árvores, para cada colheitadeira”, explicou o diretor superintendente da Ubrabio.

A lógica também vale para outras culturas, inclusive a soja, principal matéria-prima para o biodiesel. “Não faz sentido que uma colheitadeira de soja, em Mato Grosso, utilize diesel fóssil importado, quando o estado é um dos maiores produtores de biodiesel do Brasil”, ressaltou Tokarski.

Uma colheitadeira de soja usando B30 representa redução de 93 toneladas de CO2 por ano, o equivalente ao plantio de 680 árvores, segundo os cálculos da entidade. Além disso, o biodiesel é mais barato que o diesel fóssil em diversas regiões do país e as fabricantes de motores já dão garantia para o uso do combustível renovável.

“O biodiesel é o melhor combustível do Brasil. A sociedade precisa incorporar isso e usufruir dos benefícios de um produto que é nacional, gera emprego e renda e ainda melhora a qualidade do ar e, consequentemente, a qualidade de vida”, afirmou.

Tokarski abordou ainda a Resolução n° 3/2015 do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) que autorizou o uso voluntário de B30 e B20 para grandes consumidores de diesel, bastando apenas que os interessados solicitem da distribuidora da qual já adquirem o diesel com 7% de biodiesel, a mistura B30 ou B20, dependendo do caso.

“Nós já temos o uso previsto em lei, temos o compromisso assumido no Acordo de Paris, temos matéria-prima, indústria com capacidade ociosa enfim, só falta aproveitar melhor esse potencial”, destacou Tokasrki.

Leia também

Biodiesel, o melhor combustível do Brasil

Brasil adere ao Acordo de Paris