Representantes da Ubrabio (União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene) estiveram em reunião com a diretora-geral da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), Magda Chambriard, na tarde desta quarta-feira (23), para apresentar as demandas prioritárias do setor de biodiesel.

A Ubrabio destacou que o incremento do uso do biodiesel representa agregação de valor com impactos positivos no PIB (Produto Interno Bruto), reflexos ambientais e de saúde pública incontestáveis com ação efetiva na melhoria da saúde humana, quando a população passa a respirar um ar mais puro, e reduz os gastos públicos com internações e outros custos sociais decorrentes da poluição.

No aspecto econômico, a entidade ressaltou a atual competitividade do biodiesel frente ao diesel fóssil mesmo diante do baixo preço do petróleo.

O óleo diesel é o combustível mais utilizado no Brasil. Com um consumo de 60 bilhões de litros, o país precisa importar cerca de 11 bilhões de litros/ano de diesel fóssil para abastecer o mercado nacional.

Desde novembro de 2014, todo o diesel terrestre comercializado no Brasil conta com 7% de biodiesel (B7), combustível renovável produzido a partir de matérias-primas nacionais, como o óleo de soja, o sebo bovino e o óleo de fritura usado.

A Ubrabio vem defendendo um marco regulatório que dê previsibilidade para o aumento da mistura obrigatória, além de estímulo a mercados cativos para usos de misturas superiores, como o B20 nas regiões onde o biodiesel é mais barato que o combustível fóssil e nos ônibus que fazem o transporte público dos grandes centros urbanos.

“As indústrias estão preparadas para atender uma demanda para o B8, imediatamente, com previsão para aumento semestral de 1%, no próximo ano”, explica Donizete Tokarski, diretor superintendente da Ubrabio. “A sociedade precisa se apropriar dos benefícios do uso do biodiesel e participar dessa decisão, que só tem impactos positivos para o país, tanto no âmbito econômico, como no social e ambiental”.

A diretora-geral da ANP, Magda Chambriard afirmou ser “francamente favorável à ampliação do uso do biodiesel” e solicitou que técnicos da Superintendência de Abastecimento (SAB) elaborem estudo contemplando a competitividade do combustível renovável em comparação ao combustível fóssil com foco nas regiões Centro-Oeste e Sul, e nas regiões metropolitanas, incluído os custos logísticos incidentes e o que seria economizado. Serão levadas em consideração a distância das refinarias de petróleo aos principais centros consumidores dessas regiões, e a maior proximidade e capilaridade das unidades de produção de biodiesel nas duas regiões, promovendo a redução do “passeio” do combustível e contribuindo para a racionalidade logística.

Chambriard também abordou o cenário para 2025 considerando o adiamento da construção de novas refinarias o que aumentará o déficit de diesel. Os biocombustíveis poderão ser uma solução economicamente viável e sustentável para reduzir a dependência da importação de diesel.

De acordo com o Plano Decenal de Energia (PDE) 2024, em consulta pública no site do Ministério de Minas e Energia (MME), a produção nacional de diesel vai avançar 28% e chegar 64 bilhões de litros em 2024. Já a demanda pelo combustível é projetada em 77,3 bilhões de litros, levando a um déficit de 13,3 bilhões de litros.

Segundo o consultor técnico da Ubrabio, Donato Aranda, o Brasil poderia aumentar sua produção de biodiesel dos atuais 4,2 bilhões de litros por ano para 10 bilhões de litros, ajudando a aliviar a dependência brasileira do combustível fóssil importado.

“Essa produção de 10 bilhões de litros poderia ser facilmente alcançada até 2020, bastando para isso uma decisão política sobre a previsibilidade desse avanço”, comentou.

Os representantes da Ubrabio solicitaram o agendamento de nova reunião para discutir os resultados do estudo tão logo sejam concluídos, o que foi prontamente atendido pela diretora-geral. O encontro deve acontecer em meados de outubro.

Estímulo à indústria nacional

Enquanto o Brasil é deficitário de diesel fóssil, existem hoje no país 55 usinas produtoras de biodiesel, com capacidade autorizada para a fabricação de 7,5 bilhões, contra uma demanda projetada em 4 bilhões de litros. Ou seja, o setor poderia produzir quase o dobro.

Além de reduzir a dependência de diesel importado, a ampliação do uso do biodiesel estimula a industrialização da soja, que este ano alcançou a marca de 96,2 milhões de toneladas na safra 2014-2015, segundo o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

“O Brasil é o segundo maior produtor de soja do mundo e exporta mais da metade do que produz sem industrializar. A evolução do PNPB estimula o esmagamento interno do grão, agregando valor ao complexo soja, com geração de emprego e interiorização da indústria. O que o país precisa é de uma gestão global, defendendo os interesses nacionais “, defendeu Francisco Flores, representante da empresa associada à Ubrabio Biopar-MT.

Participaram da reunião a diretora-geral da ANP, Magda Chambriad, acompanhada pelo o superintendente de abastecimento, Aurélio Amaral, Alexandre Camacho (Superintendência de Refino, Processamento de Gás Natural e Produção de Biocombustíveis – SRP), e pelo técnico da SAB Renato Dutra. Representando a Ubrabio estiveram Francisco Flores, Donizete Tokarski, Sergio Beltrão e Donato Aranda.

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