Assessores de deputados federais e senadores passaram a tarde de sexta-feira (21) “Conversando sobre Biodiesel, Saúde e Mudanças Climáticas” com equipes da Embrapa Agroenergia e da União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio), em Brasília/DF.

O chefe-geral da Embrapa Agroenergia, Manoel Souza, explica que a iniciativa teve como objetivo oferecer aos profissionais que assessoram os parlamentares informações qualificadas sobre o panorama atual, as oportunidades e os desafios para a produção de biodiesel no Brasil. “Essas pessoas dão suporte à elaboração e à avaliação de propostas que permitam a evolução do uso desse biocombustível, que já é um caso de absoluto sucesso de introdução de mais um produto de origem renovável na matriz energética brasileira”, ressalta.

“Nós definimos como público-alvo os assessores parlamentares e jornalistas porque esses profissionais estão diretamente envolvidos com as tomadas de decisões que determinam os rumos do país. E nós queremos também que a sociedade tenha conhecimento e possa participar da escolha do combustível que é utilizado no nosso sistema de transporte”, explicou o diretor-superintendente da Ubrabio, Donizete Tokarski.

O jornalista Osni Calixto, assessor do secretário-geral da Frente Parlamentar Mista do Biodiesel (FrenteBio), senador Donizeti Nogueira (PT/TO), disse que o evento foi uma espécie de “pós-graduação em biodiesel”. Na opinião dele, todo assessor deve ter conhecimento do conteúdo abordado. “Porque, de repente, há um debate como esse, extraordinário, que pode levar o Brasil a realmente crescer, a pensar um Brasil 20 anos na frente, com menos poluição, e nós não aproveitamos por falta de conhecimento”, comenta.

O evento começou com um debate conduzido por Souza, da Embrapa Agroenergia; Donizete Tokarski, da Ubrabio; Donato Aranda, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro e consultor da Ubrabio; e Samya de Lara Pinheiro, pesquisadora da Rede Clima e Fiocruz-RJ. O chefe-geral da Unidade da Embrapa mostrou aos participantes que a palavra-chave para o setor de biodiesel é diversificar. Isso vale tanto para as matérias-primas quanto para os produtos obtidos nas indústrias.

Atualmente, cerca de 75% do óleo utilizado na produção do biocombustível vem da soja; outros 20% da matéria-prima são constituídos de gorduras animais, especialmente sebo bovino. A inclusão expressivas de outras culturas, como o dendê e a macaúba, poderia incrementar a participação de agricultores do Norte e Nordeste do Brasil no Programa Nacional de Produção e Uso de Biodiesel (PNPB). As duas plantas fazem parte de pesquisas envolvendo várias unidades da Embrapa e parceiros.

Mais biodiesel, menos poluição
A previsibilidade é outra palavra-chave para o setor. Em janeiro deste ano, a introdução do biodiesel na matriz energética brasileira completou 10 anos. Entre as vantagens ambientais do combustível está a emissão zero de enxofre. Esse elemento químico, liberado na queima do diesel fóssil, forma SOx, composto que provoca chuva ácida e problemas respiratórios na população. O biodiesel também emite menos material particulado, cujos prejuízos para a saúde atingem desde o sistema cardiovascular até o reprodutivo.

“O biodiesel é o combustível do momento. O país precisa perceber a relevância deste biocombustível tanto na questão ambiental quanto econômica e estabelecer uma política de longo prazo para o aumento gradual do uso do biodiesel na matriz de combustíveis”, destaca Tokarski.

A pesquisadora da Fiocruz Samya de Lara Pinheiro ressaltou os benefícios do uso do biodiesel para a saúde: “A utilização do biodiesel, puro ou em adição ao diesel fóssil, traz reduções na emissão de diversos poluentes – principalmente o material particulado. E a redução das emissões de material particulado está associada à diminuição significativa de casos de internações e mortalidade relacionados à poluição do ar”.

Produção de biodiesel
Após o debate, os participantes visitaram uma exposição, onde conheceram os frutos da macaúba, do dendê, além de sementes de outras oleaginosas, e conversaram com o pesquisador Bruno Laviola, da Embrapa Agroenergia, que trabalha com a domesticação de plantas com potencial agroenergético. Também viram ao vivo a produção de biodiesel e ouviram da pesquisadora Itânia Soares uma explicação sobre a reação química que dá origem ao biocombustível. Conheceram, ainda, um fotobiorreator de microalgas – a analista Lorena Garcia apresentou as pesquisas da Unidade nessa área. Por fim, os participantes conheceram os laboratórios da Embrapa Agroenergia.

Para a realização e divulgação do evento, a Unidade contou com o apoio da Secretaria de Comunicação e da Assessoria Parlamentar. Além de assessores parlamentares e jornalistas, participou do evento o secretário de Estado de Agricultura, Abastecimento e Desenvolvimento Rural do Distrito Federal, José Guilherme Tollstadius Leal, que elogiou a iniciativa e destacou a importância do PNPB para a economia do Centro-Oeste. O administrador regional de Brasília, Igor Tokarski também compareceu.

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