O Brasil vem discutindo sobre a qualidade do diesel e sobre as novas tecnologias dos motores, principalmente no que diz respeito à diminuição da emissão de enxofre contido no combustível. O enxofre é um elemento químico extremamente indesejável para o meio ambiente, uma vez que, ao se juntar com água, forma o ácido sulfúrico, que é extremamente prejudicial ao meio ambiente e a saúde humana. Neste sentido, o Brasil possui importante vantagem comparativa na produção de Biodiesel, que é um substituto limpo e eficiente para o diesel convencional.

De acordo com a ANP, até dezembro de 2008, estavam disponíveis dois tipos de óleo diesel: o interior (2000 ppm de enxofre) e o metropolitano (500 ppm de enxofre). Em 1º de janeiro de 2009, o diesel interior foi completamente substituído pelo S1800, de acordo com a Resolução ANP nº 41, de 24/12/08. Paralelamente, o óleo diesel S50 (com teor máximo de 50 ppm de enxofre) vem sendo introduzido na matriz de combustíveis de modo gradual, por regiões, desde 2009, conforme determinado pela Resolução ANP nº 43, de 24/12/08. Segundo Resolução nº 39 da ANP, de 14/10/2009, o óleo diesel S10 estará disponível para comercialização a partir de 1º de janeiro de 2013, conforme Plano de Abastecimento definido pela ANP.

Em 2010, as 66 unidades produtoras somaram uma capacidade total autorizada de 5,8 milhões de m³ e produziram 2,4 milhões de m³, operando com uma ociosidade aproximada de 60%. Esta baixa utilização é um forte argumento para o estabelecimento de um percentual maior do biocombustível na mistura. A capacidade instalada de produção das usinas em operação já é suficiente para adicionar até 10% de biodiesel ao combustível convencional imediatamente.

A questão do aumento do percentual da mistura do biodiesel na mistura torna-se ainda mais interessante quando levamos em conta que o Brasil é importador liquido de diesel. Em 2010, a Petrobras importou 9 milhões de m³, o equivalente a 18% do consumo doméstico.

A substituição do diesel importado pelo biodiesel nacional pode ser viável, mesmo quando se considera a questão do preço. No ultimo leilão de biodiesel, o menor preço por litro registrado foi de R$ 1,93, que se compara a cerca de R$1,50 do diesel importado, já considerada a paridade importação. Ainda, há que se considerar que, a exemplo do que ocorreu na produção de etanol, os ganhos de escala e de produtividade esperados devem contribuir para reduzir os preços do biodiesel. O aumento da produção do biodiesel nacional se torna ainda mais interessante quando se considera os empregos que serão gerados na produção, o desenvolvimento tecnológico e a economia de divisas com a diminuição da necessidade de importação. Tudo isso com um combustível mais limpo.

Uma questão controversa é o possível deslocamento da produção de alimentos, que seria substituída pela produção de biodiesel, trazendo um efeito perverso para a sociedade. No entanto, a produção de combustível e alimentos pode ser complementar. Um bom exemplo é o caso da soja. O resultado do processo de esmagamento são dois produtos distintos: a proteína (farelo), que representa em média 80% da produção, o óleo de soja com 18 a 19%, enquanto cerca de 2% se perde durante o processo. O farelo é destinado à alimentação enquanto o óleo possui vários destinos, inclusive a produção de combustíveis.

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