Levantamento indica alta nos ganhos da agricultura familiar, expansão das cooperativas e crescimento dos postos de trabalho em diversos municípios brasileiros.
A expansão da cadeia de biocombustíveis no Brasil tem gerado impactos econômicos que vão além da substituição do diesel de origem fóssil. O fortalecimento do setor estimula a movimentação financeira em pequenos municípios por meio da integração entre agricultura, indústria e prestação de serviços. Dados de 2026 divulgados pela Empresa de Pesquisa Energética mostram que o rendimento bruto anual médio das famílias atendidas pelo Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel subiu de R$ 20 mil em 2008 para R$ 118 mil em 2024. No mesmo intervalo de tempo, o total de cooperativas participantes passou de 20 para 92 organizações.
Integração da agricultura familiar e oferta de postos de trabalho
Atualmente, cerca de 300 mil agricultores familiares fornecem insumos para a cadeia do biodiesel, movimentando aproximadamente R$ 9 bilhões em compras efetuadas pelas empresas do segmento. Essa aproximação entre os produtores e a agroindústria ocorre sob as diretrizes fixadas desde a criação do programa em 2004, mediante mecanismos como o Selo Biocombustível Social. A certificação condiciona os incentivos ao cumprimento de exigências formais, que incluem a celebração de contratos comerciais, limites de compra no setor familiar e a prestação de apoio técnico no campo.
A elevação da mistura compulsória para o nível B15, estabelecida em agosto de 2025, impulsionou a busca por matéria-prima e ampliou o ritmo das usinas. No primeiro trimestre de 2026, a fabricação de biodiesel registrou alta de 10,93% perante o mesmo período do ano anterior, segundo apuração do Cepea. No acumulado de 2026, estimativas do setor apontam que a cadeia conjunta da soja e do biodiesel atingirá R$ 661,02 bilhões, registrando avanço de 6,87%. Em termos de mão de obra, essa mesma cadeia produtiva empregava 2,54 milhões de trabalhadores nos primeiros três meses de 2026, o que representa um aumento de 3,29% na comparação anual. Em pequenos municípios com até 20 mil habitantes, a agricultura familiar constitui a base da atividade econômica local em 90% dos casos e responde por 77% das propriedades rurais brasileiras.
Articulação entre energia, alimento e projeções de mercado
O processamento do grão da soja produz óleo refinado para biocombustível e farelo destinado ao consumo animal. Esse duplo aproveitamento viabiliza o fornecimento simultâneo de insumo energético e de proteína para rebanhos e criações de aves e suínos, auxiliando a produção de carnes, leite e ovos.
As projeções oficiais da Empresa de Pesquisa Energética indicam que o consumo nacional de biodiesel alcançará 13,9 bilhões de litros em 2035, acompanhado de aportes previstos em R$ 110 bilhões em biocombustíveis. No primeiro semestre de 2026, as vendas consolidadas do combustível atingiram 4,9 milhões de metros cúbicos, com crescimento de 8,4% sobre o ano anterior. Avaliações de consultores do setor indicam que cada ponto percentual acrescido à mistura compulsória possui capacidade para incluir 25 mil novos agricultores familiares na cadeia. Por fim, as diretrizes recentes do Selo Biocombustível Social buscam diversificar as culturas agrícolas e expandir a presença do programa nas regiões Norte, Nordeste e Semiárido.