Em entrevista ao programa Agromais, da TV Band, o diretor superintendente da União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio), Donizete Tokarski, voltou a defender nesta sexta-feira (8) que o país deve aproveitar a alta nos preços da gasolina e do diesel para apostar no potencial próprio de geração de combustíveis a partir de fontes renováveis, como soja e milho.

“Nós temos hoje uma capacidade de produção de mais de 13 bilhões de litros por ano de biodiesel. Ou seja, é uma capacidade que poderíamos atender praticamente 20% do consumo de diesel fóssil no Brasil. É bom lembrar que o Brasil importa e muito o diesel fóssil, inclusive o diesele péssima qualidade, que é o S500, que é um diesel com muitos problemas para a saúde pública. É um diesel com 500 partes para um milhão de enxofre, além de outros produtos cancerígenos associados a este combustível fóssil”, alertou Tokarski, que também preside a Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Oleaginosas e Biodiesel do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

O dirigente da Ubrabio defendeu, ainda, a necessidade da revisão da mistura do biodiesel no diesel para reduzir ociosidade do setor. “A indústria do biodiesel, com a capacidade de produzir 13 bilhões de litros, está produzindo, neste ano, pouco mais de 6,2 bilhões de litros. Ou seja, nós estamos com uma ociosidade na indústria superior a 50%. No cenário em que o mundo caminha para os biocombustíveis, nós estamos ainda num caminho de retrocesso. Nós esperamos que este governo ainda possa reverter essa curva e fazer com que esta indústria instalada no Brasil, que são 57 indústrias de biodiesel, em 15 unidades da Federação, em todas as regiões do país, que estão prontas para atender a esse mercado com combustível limpo”, pontuou.

Geração de emprego

Além da geração de emprego, o dirigente da Ubrabio disse que é preciso levar em conta outras externalidades essenciais para o desenvolvimento do agro. “Por exemplo, quando nós esmagamos mais soja para produzir biodiesel, o principal produto da soja esmagada é o farelo, que entra na cadeia de produção de proteínas gerando diversas oportunidades de emprego para a produção de ração, frangos, peixes, suínos e todo tipo de proteína associada a essa cadeia, que é extremamente importante e com capacidade comercial de fazer com que aumente a exportação de derivados de proteínas no país”, avaliou.

Tokarski também lembrou que o percentual de mistura de biodiesel ao diesel, que hoje está em 10%, deveria ser de 14%, conforme determinação do CNPE. E reforçou que a cada 1 ponto percentual reduzido nessa conta gera um aumento de custo da produção, somente de aves, peixes e suínos, da ordem de R$ 3,5 bilhões. “O complexo de produção de biodiesel é muito interessante não só do ponto de vista da produção de energia, pois biodiesel é muito mais que energia. Biodiesel é segurança energética, mas também é segurança alimentar. Além disso, ajuda na redução de gases de efeito estufa e proporciona melhor qualidade de vida”, disse.

Qualidade de vida

 De acordo com estudos apresentados pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) do Ministério de Minas e Energia, a mistura do B10, ou seja, 10% de biodiesel, evita a morte de 244 pessoas por ano na região Metropolitana de São Paulo. Além disso, a pesquisa apontou que essa medida alonga a vida das pessoas com uma perspectiva de nove dias por ano, lembrou Tokarski, ao defender que o país deve investir em energia limpa para garantir melhor qualidade de vida da população.

Investimentos do setor

 Segundo o dirigente da Ubrabio, o setor produtivo investiu mais de R$ 14 bilhões nos últimos anos contando com um aumento na porcentagem do biodiesel adicionado ao diesel comum. “Tivemos uma decisão importante do Ministério de Minas e Energia, do Conselho Nacional de Políticas Energéticas (CNPE), em 2018, que dava esse aumento de mistura de biodiesel, e isso fez com que os empresários investissem por acreditarem nessa previsibilidade real dada pelo governo. Era para estarmos com 14% de biodiesel no diesel. Nessa perspectiva, as empresas fizeram investimentos superiores a R$ 14 bilhões nas 57 unidades de produção de biodiesel”, informou.

Além destes investimentos, Tokarski lembrou que o país está construindo 10 novas indústrias, pois o setor acreditou que essa previsibilidade seria assegurada. “Esperamos que se possa garantir para o ano que vem uma mistura de 15% de biodiesel no diesel para fazer com que todo o investimento feito pelos empresários seja transformado em benefícios para a sociedade. É isso que nós precisamos, um combustível cada vez mais limpo”, defendeu.

Tokarski citou exemplos promissores de mercados que têm investidos no aumento da mistura do biodiesel ao diesel. “Outros países já utilizam 20% de biodiesel no diesel. Por exemplo, os Estados Unidos, a Indonésia e a Malásia, que vão chegar com misturas superiores a 30%. Vale destacar que o biodiesel é um combustível que melhora a saúde das pessoas. O biodiesel, com certeza, é o melhor combustível do Brasil”, finalizou Tokarski.

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