12/11/2019 – Os produtores de biodiesel associados à União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio) firmaram um compromisso para desenvolver voluntariamente uma especificação interna com o objetivo de colocar no mercado um biocombustível com o mais alto padrão de qualidade: o biodiesel premium. O anúncio foi feito pelo presidente da Ubrabio, Juan Diego Ferrés, nesta segunda-feira (11/11), durante a Conferência BiodieselBR em São Paulo.

Atualmente, o biodiesel brasileiro já possui especificação mais rigorosa que a do produto dos EUA e Europa. O objetivo dos produtores associados à Ubrabio é criar um padrão de qualidade ainda mais elevado, já visando a ampliação da mistura obrigatória até o B20 (20% de biodiesel no diesel).

Esse padrão será submetido à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

O que dizem os produtores

Para os produtores associados à Ubrabio, a iniciativa é inovadora e essencial para demonstrar o comprometimento da entidade com a qualidade do produto que será oferecido ao mercado.

“A cadeia toda necessita disso para poder demonstrar que em todos os problemas que possam ser alegados no B11, B15, ou B20 que vem pela frente, o último vilão vai ser o biodiesel. As indústrias de biodiesel hoje são muito técnicas, muito avançadas, com tecnologia de primeiro mundo e fornecem um produto de melhor qualidade que o diesel fóssil. Nós queremos mostrar que o biodiesel não é o problema, é a solução”. Luiz Meira, Potencial Biodiesel

“Quando nós pensamos em biodiesel e em uma matriz energética renovável, nós precisamos pensar também em evoluir. Não só evoluir na mistura obrigatória, todo esse apelo para melhoria da qualidade do ar precisa englobar também de que forma nós produtores podemos agregar valor no nosso negócio e também dar a nossa parcela de contribuição para que as pessoas tenham um combustível mais limpo e de excelente qualidade”. Jaime Binsfeld, Biopar MT

“Biodiesel Premium é um selo de qualidade que vai diferenciar os padrões de performance e qualidade do biocombustível oferecendo para o mercado um diferencial em uma commodity muito bem padronizada”. Marcos Boff, Oleoplan

“É interessante porque vai divulgar para o mercado a nossa qualidade e as distribuidoras vão ter uma visão mais ampla sobre as características do biodiesel”. Rodolfo Soffiatti, Brejeiro

“As distribuidoras vão poder enxergar quem está produzindo um biodiesel de maior qualidade e vão poder precificar isso na hora de comprar. Produtores que produzem com uma qualidade superior vão poder mostrar isso”. Guilherme Define, Brejeiro

“É uma excelente saída. Todos saem beneficiados: quem quer comprar, porque tem a garantia de qualidade, e quem for vender terá um valor remuneratório melhor”. Antin Bianchini, Bianchini

“Se uns fizerem biodiesel premium, certamente vai puxar todo o setor para um patamar de qualidade superior, o que é bom para todo o mercado e diminuir a resistência que ainda existe em relação ao biodiesel”. Irineu Boff, Oleoplan

Mistura obrigatória

Hoje, todo o diesel comercializado no Brasil é B11, isto é, contém 11% de biodiesel. Durante a conferência internacional em São Paulo, representantes do setor discutem os desafios para o avanço até o B15, já previsto em lei, e os próximos passos rumo ao B20.

Segundo diretor executivo da BiodieselBR.com, Miguel Ângelo Vedana, o cartão de visitas do biodiesel é a sua capacidade de reduzir as emissões de carbono. “O setor tem que lutar para avançar sobre os 89% do mercado de diesel. Produtos que emitem menos carbono são os que estão em alta no mercado e o setor precisa aproveitar essa oportunidade. O mundo sabe que precisa caminhar para uma economia mais limpa e é a nossa missão fazer isso acontecer”.

O presidente da Ubrabio, Juan Diego Ferrés, garantiu que o caminho está alicerçado para novos avanços. De acordo com Ferrés, as indústrias estão investindo em ampliações e em novas unidades, o que vai aumentar a capacidade de oferta de biodiesel para o mercado nacional. Além disso, Ferrés destacou a mais recente alteração na especificação do biodiesel que aumentou a durabilidade do produto, garantido maior qualidade ao consumidor.

Ferrés lembrou ainda que o Brasil ocupa, ao lado da Indonésia, o posto de segundo maior produtor e consumidor de biodiesel, com 5,5 bilhões de litros/ano, aproximadamente. Os EUA ocupam o primeiro lugar. Mas a Indonésia está prestes a assumir a liderança global no próximo ano, já que planeja implementar o B30 em 2020.

B15 testado e aprovado

Presentes na abertura do evento, o diretor da ANP Aurélio Amaral, e o representante da Anfavea (associação que representa a indústria automobilística) Henry Joseph Jr. comentaram os testes em motores realizados pela indústria automobilística para atestar o uso do B15, que deve entrar em vigor no país até março de 2023. Amaral também lembrou que a ANP está trabalhando em outras análises para dar ainda mais segurança ao consumidor final.

Políticas públicas

“A idade da pedra não aconteceu por falta de pedra e a idade do petróleo não precisa acabar por falta de petróleo”, provocou o deputado federal Enrico Misasi (PV-SP). O parlamentar, que é vice-presidente da Frente Parlamentar Mista do Biodiesel (FPBio), defendeu a inclusão da tributação verde na pauta da reforma tributária, de forma a fomentar o uso cada vez maior de energia renovável e desestimular o uso de combustíveis fósseis. Ele também manifestou apoio à proposta da Ubrabio de uma política de equalização do complexo soja, com o objetivo de estimular a industrialização e fortalecer o setor.

Já o deputado federal Jerônimo Goergen (PP-RS), presidente da FPBio, falou sobre a Lei da Liberdade Econômica e como ela pode contribuir com o setor.

Veja as fotos da Conferência BiodieselBR:

Fotos: Joel Rocha e Nayara Machado

print