Entre 2005 e março de 2016, o Brasil consumiu 22 bilhões de litros de biodiesel, em adição ao diesel fóssil, o que representa 41 milhões de toneladas de CO2 evitadas. É como se o País tivesse plantado 300 milhões de árvores.

O biodiesel hoje é adicionado ao diesel fóssil na proporção de 7%, obrigatoriamente, em todo o território nacional. O governo autorizou, em março deste ano, que a adição obrigatória avance para 8% até março de 2017 e chegue a 10% até 2019.

Também é facultada aos grandes consumidores de diesel a utilização deste combustível renovável em misturas que podem chegar a 20% e 30%. Para apresentar esta nova possibilidade de negócio aos empresários mato-grossenses, a Ubrabio (União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene) esteve em Cuiabá-MT, na manhã desta quarta-feira (04/05), no evento “Biodiesel: Oportunidades e Benefícios do Uso Voluntário”. O encontro aconteceu na Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso (FIEMT).

Além de ser o maior produtor de soja – principal matéria-prima para o biodiesel –, o Estado também concentra o maior número de unidades produtoras deste biocombustível. Por isso, consumir mais biodiesel significa, ao lado de diminuir as emissões do setor transportador, reduzir também seus custos com combustível, já que o produzido a partir do óleo vegetal é mais barato que o diesel de petróleo, que atravessa o país para chegar à região.

“Se eu tivesse que dizer aqui qual o produto é a cara de Mato Grosso, esse produto é o biodiesel. A produção de biodiesel agrega valor à cadeia produtiva da soja e gera empregos de qualidade, porque estimula a industrialização no estado”, afirmou o diretor superintendente da Ubrabio, Donizete Tokarski.

Outro ponto destacado pela Ubrabio é a sustentabilidade ambiental. O Mato Grosso pode reduzir as suas emissões de gases de efeito estufa com o uso do B20, isto é, 20% de biodiesel no diesel que abastece seus ônibus e caminhões.

“Um caminhão pesado gasta em média 35 mil litros de diesel por ano. Se usar B20, isso representa uma redução de 14 toneladas de CO2/caminhão por ano. Equivale plantar 105 novas árvores por ano, para cada veículo. No Mato Grosso, são cerca de 64 mil caminhões. Com B20 seriam 7 milhões de árvores/ano”, explica o professor Donato Aranda, consultor técnico da Ubrabio.

No caso dos ônibus urbanos, cuja média anual de consumo de diesel é de 44 mil litros, com o B20 haveria uma redução de 18 toneladas de CO2/ônibus por ano, o equivalente ao plantio de 132 árvores por ano.

“O Mato Grosso tem tudo para sair na frente e servir de modelo para os outros estados na adoção de medidas para diminuir a pegada de carbono do setor de transportes”, completa Tokarski, lembrando o compromisso assumido pelo Brasil na COP21, em dezembro, em Paris, de ampliar a participação da bioenergia na matriz energética brasileira, incluindo o uso do biodiesel. “O Mato Grosso é fundamental nesse processo”, destacou.

O seminário “Biodiesel: Oportunidades e Benefícios do Uso Voluntário” foi promovido pelo Sindicato das Indústrias de Biodiesel no Estado do Mato Grosso (Sindibio-MT), pela Associação dos Produtores de Biodiesel do Brasil (Aprobio), a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) e a União Brasileira de Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio) e contou com o apoio dos ministérios de Minas e Energia (MME) e do Desenvolvimento Agrário (MDA), além da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Além de Mato Grosso, o evento também está previsto para ocorrer em outros estados.


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