A expectativa do setor de biodiesel no Brasil é positiva, segundo Manoel Teixeira, chefe-geral da Embrapa Agroenergia, embora ainda dependa de decisões que estão sendo discutidas no Congresso Nacional.

“Em 2015 tivemos o primeiro ano completo com mistura de 7% de biodiesel ao diesel (B7) e recentemente vieram de Brasília notícias positivas, acenando para possibilidades reais de um processo paulatino, quase que anual, do aumento dessa mistura, que seria de um por cento ao ano.”

Segundo ele, se isso se concretizar, haverá diminuição da ociosidade da capacidade instalada do setor.

Para ele, o aumento gradual na mistura ajuda a acomodar tranquilamente a oferta de matéria-prima, em comparação com o aumento abrupto da mistura, por exemplo, de 7% para 10% ou para 15%.

“O aumento paulatino da mistura não coloca pressão grande na matéria-prima disponível e permite também que a indústria use melhor a sua capacidade instalada, diminuindo a ociosidade.”

Teixeira relata que, em se mantendo os atuais níveis de mistura, de 7%, e respeitando esse aumento de demanda que tem ocorrido ano a ano, a produção brasileira de biodiesel deverá ficar na faixa de 4 a 4,5 bilhões de litros em 2016. Patamar que consolida o Brasil como o segundo maior produtor global de biodiesel, atrás apenas dos Estados Unidos. Além disso, o B7 também reduz a dependência brasileira do diesel importando em cerca de 1,2 bilhões de litros. Fora a previsão de aumento de empregos gerados.

Matérias-primas

No ano passado, 75% de todo biodiesel produzido no Brasil veio do óleo de soja, 20% originou-se da gordura animal e o restante foi oriundo de um grupo de matérias-primas, como caroço de algodão, óleo de fritura, óleo de dendê. “Os números mostram que soja voltou a aumentar a participação.”

Mas é necessária maior diversificação das matérias-primas para produção de biodiesel no Brasil?

Para Teixeira, não. “Ações na cadeia da soja, por exemplo, aumentando o processamento e esmagamento no Brasil já liberará óleo suficiente para o crescimento previsto da cadeia de biodiesel para os próximos anos. Não existe, a partir do setor agroindustrial, uma demanda para diversificar.”

A diversificação decorre de fato e de direito de uma demanda do governo. “A partir dos Ministérios da Agricultura e de Desenvolvimento Agrário, busca-se uma diversificação para viabilizar a inclusão social e regional do Nordeste e do Norte, e da agricultura familiar nessas duas regiões.”

Segundo ele, diante desse demanda governamental, a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) contribui por meio de pesquisas que atendam diferentes demandas de diversificação. Nesse contexto, a empresa de pesquisa tem trabalhado com pinhão manso, dendê, macaúba.

A matéria-prima da região Norte que está no topo da lista das matérias-primas dedicadas ao biodiesel é o dendê. “Porém, no Pará o problema é mais fundiário do que de falta de tecnologia.” Questão que tem desmotivado investimentos em usinas na região.

No Nordeste, há algumas regiões que produzem soja, que tendem a integrar a cadeia de biodiesel. “Mas onde não há produção de soja, a Embrapa tem buscado alternativas. Só que tem o problema da seca, das limitações edafoclimáticas, que limitam as iniciativas.”

Nesse caso, um caminho é o investimento em irrigação. Além disso, Teixeira afirma que a Embrapa tem se dedicado a integrar outras alternativas para a produção de óleo vegetal na região, como macaúba, pinhão manso e amendoim.

A Embrapa Algodão, por exemplo, desenvolveu o amendoim com alto teor de óleo. “É uma matéria-prima que está sendo estudada, mas sua produção sempre esbarra na seca.”


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