Pesquisa realizada pela UEA desperta interesse na SBPC.

A possibilidade de utilizar resíduos amazônicos como matéria-prima para biocombustíveis despertou a curiosidade dos participantes da 65ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), realizada na capital pernambucana.

O trabalho ‘Prospecção de cepas fúngicas amazônicas para aproveitamento de subprodutos da cadeia produtiva de biodiesel visando compostagem e produção de biocombustível de segunda geração’, que esteve disponível no estande do Governo do Amazonas, foi desenvolvido pela pesquisadora da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) Antônia Souza.

A pesquisa é vinculada ao Programa Biocom, que conta com financiamento do governo do Estado, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Estado do Amazonas (Fapeam), e Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq). O projeto já contribuiu com a formação de dois mestres e vários alunos de iniciação científica na região.

Segundo a pesquisadora, foram analisados dez tipos de resíduos da região, entre eles a casca e o caroço do cupuaçu, a casca e a semente do maracujá, as cascas da macaxeira, do urucu, do coco, do guaraná, resíduos de pau-rosa e o bagaço da cana-de-açúcar. Os levantamentos foram realizados nos municípios de Maués, Barcelos e Presidente Figueiredo.

“O trabalho identificou três linhagens de micro-organismos que podem ser utilizados na produção de bioetanol e na compostagem. Foram realizados ensaios com êxito na produção do bioetanol de segunda geração com dois destes resíduos e a compostagem com as amostras dos micro-organismos selecionadas. Esses testes apresentaram por volta de 80% a melhora de crescimento da semente do jerimum”, afirmou Souza, que é doutora em Genética e Evolução.

As próximas etapas da pesquisa consistem em otimizar a produção do bioetanol de segunda geração e, ainda, pesquisar nova matéria-prima para a produção do biodiesel. “De posse desses resultados, queremos agora tornar esse bioetanol economicamente viável. Além disso, vamos buscar novas fontes a partir da biodiversidade microbiana para a produção de biodiesel”, detalha.

Para a professora da rede municipal de ensino de Recife, Geovana Brito, a pesquisa possui grande valor científico e deve ser usada como modelo para outras regiões.


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