O primeiro timorense a concluir o doutoramento em Portugal, Samuel Freitas, desenvolveu um biodiesel a partir de sementes de pinhão-manso e nogueira de Iguapé, árvores nativas de Timor-Leste, anunciou hoje a Universidade de Aveiro.

O biodiesel, fabricado a partir de óleos vegetais extraídos de sementes do pinhão-manso e da nogueira de Iguapé, árvores nativas presentes em grande escala por todo o país, “poderá ser usado não só pelo parque automóvel como também para a produção de eletricidade”, explica Samuel Freitas.

O recém-doutorado timorense revela que desenvolveu a investigação precisamente a pensar numa forma barata, eficaz e limpa de obter combustível que possa ajudar a produzir energia elétrica.

“Fui incentivado a desenvolver este tema pois parte da ilha ainda não tem eletricidade”, diz Samuel Freitas, adiantando que a metodologia que utilizou “pode perfeitamente ser usada em Timor numa escala industrial”.

O investigador timorense esclarece que as matérias-primas não faltam em Timor-Leste para obter o biodiesel, já que o pinhão-manso e a nogueira de Iguapé são árvores que crescem espontaneamente por todo o arquipélago timorense.

Outra das vantagens que aponta é que, ao contrário de outras culturas usadas para a produção de biodiesel, as sementes em causa, das quais se extrai o óleo que transforma em combustível, “nem sequer são utilizadas para fins alimentares”.

Samuel Freitas entrou na Universidade de Aveiro com 20 anos, ao abrigo do protocolo de formação de estudantes celebrado entre os dois países. Sem uma única reprovação, licenciou-se em Engenharia Química, tirou o mestrado e concluiu o doutoramento.

Há uma década longe de Timor-Leste, tendo apenas uma vez visitado a família, agora que concluiu o doutoramento, prepara-se para regressar no final do mês de agosto e contribuir para o desenvolvimento do sistema de ensino do país, na Universidade Nacional de Timor-Leste (UNTL).

Ajudar a desenvolver o ensino e a investigação na área da engenharia em Timor, em particular na Engenharia Química, é um dos seus projetos até porque, lembra, “há muitos recursos energéticos em Timor que têm se ser explorados pelos próprios timorenses”.


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