Clenilson Rodrigues, líder do projeto de pesquisaPesquisadores da Embrapa Agroenergia estão iniciando o desenvolvimento de métodos ultrarrápidos a fim de identificar e quantificar substâncias com potencial de utilização ou outras que são tóxicas em tortas de duas culturas oleaginosas com potencial de inserção da cadeia produtiva do biodiesel: o pinhão-manso e o crambe. O projeto de pesquisa conta com a parceria da Embrapa Agroindústria Tropical, Fundação Mato Grosso do Sul e Universidade de Campinas (Unicamp) e tem duração prevista para dois anos.

A torta é o material que sobra do esmagamento dos grãos após a extração de óleo. Normalmente, é utilizada para alimentação animal, na forma de farelo. No entanto, apesar de apresentarem alto valor proteico, as tortas do crambe e do pinhão-manso possuem substâncias tóxicas – glicosinolatos e ésteres de forbol, respectivamente –, que impedem o uso direto para esse fim.

Pesquisas estão sendo desenvolvidas com o objetivo de reduzir ou eliminar esses compostos das tortas de pinhão-manso e crambe, de modo a permitir o uso delas como componentes de rações, agregando valor às cadeias produtivas. Para tanto, os cientistas estão se valendo tanto do melhoramento genético, para obter cultivares não tóxicas, quanto de processos físicos, químicos e biológicos para remover ou reduzir a concentração das substâncias indesejadas.

Segundo o pesquisador Clenilson Rodrigues, líder do projeto iniciado na Embrapa Agroenergia, “para auxiliar as pesquisas que estão sendo desenvolvidas com o objetivo de reduzir ou eliminar esses compostos das tortas de pinhão-manso e crambe, é necessário empregar técnicas analíticas que permitam obter informações precisas e exatas em curto espaço de tempo. O monitoramento da eficiência e eficácia destes processos é indispensável para garantir o uso seguro das tortas e, como consequência, garantir a agregação de valor às cadeias produtivas dessas duas culturas”.

Rodrigues explica ainda que existe grande deficiência nas abordagens analíticas empregadas atualmente no monitoramento dos agentes tóxicos dos produtos e coprodutos de crambe e pinhão-manso. “Os procedimentos de referência são morosos e laboriosos e, no caso do pinhão-manso, são incapazes de realizar a diferenciação entre os seis isômeros de ésteres de forbol conhecidos, ou ainda, predizer se ocorre a formação de derivados similares durante os processos de destoxificação”.

Na expectativa de contribuir para a solução desse problema, os pesquisadores da Embrapa e das instituições parceiras vão desenvolver metodologias utilizando a cromatografia acoplada a diferentes tipos de detectores para monitorar os níveis dos compostos químicos tóxicos em crambe e pinhão-manso. O objetivo é obter métodos ultrarrápidos, que permitam identificar e quantificar as substâncias encontradas, mesmo em baixos níveis de concentração. Também é meta do trabalho empregar instrumentação que colabore com a redução do volume de reagentes utilizados e, consequentemente, com a redução de efluentes gerados nas análises.

Além do sistemático monitoramento das substâncias tóxicas, a pesquisa também pretende reconhecer outros compostos químicos de ocorrência nas culturas do crambe e do pinhão-manso que apresentem potencial valor agregado para a cadeia da agroenergia ou para outros nichos de interesse comercial. A condução do projeto prevê, ainda, ensaios para validação dos métodos obtidos, cursos para capacitação de pesquisadores e técnicos e ações de transferência das tecnologias que forem geradas.

Embrapa Agroenergia
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Vivian Chies (MTb 42.643/SP)

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