As ações de cooperações internacionais da Embrapa Agroenergia em 2013 foram abertas com a visita do chefe-geral da instituição, Manoel Souza, à Universidad de La Frontera (UFRO), no Chile, este mês. “Neste ano, o foco das nossas negociações fora do Brasil será a América Latina”, afirma Souza, lembrando que no ano passado, o centro de pesquisa brasileiro estabeleceu parcerias com os Estados Unidos e a Austrália.

A Embrapa Agroenergia também já iniciou negociações com instituições colombianas, em especial o Centro de Pesquisa em Palma-de-óleo (Cenipalma). E mantém um projeto em conjunto com Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária da Argentina (INTA), para prospecção de microrganismos a serem utilizados na produção de etanol celulósico.

Durante a visita ao Chile, foi acordada a vinda de estudantes da UFRO para o Brasil, a fim de desenvolver teses de doutorado nos laboratórios da Embrapa Agroenergia. Os primeiros alunos devem chegar ao Brasil até o final deste ano. A instituição também pretende receber professores da universidade chilena como pesquisadores visitantes. Além disso, técnicos do centro de pesquisa brasileiro irão atuar como co-orientadores de estudantes de mestrado e doutorado da UFRO.

As duas instituições também pretendem elaborar projetos conjuntos nas áreas de resíduos, biocombustíveis sólidos e microalgas. Estas últimas são a grande aposta dos chilenos para a produção de biodiesel. Com pouca área disponível para plantio de espécies vegetais para uso energético, o país estuda instalar tanques de cultivo de microalgas no deserto do Atacama a fim de produzir óleo e biomassa para a fabricação de biocombustíveis.


Novas fontes de energia

“Nós também temos forte interesse em estudar microalgas, pelo alto potencial de geração de óleo e biomassa que têm esses organismos”, diz o chefe-geral da Embrapa Agroenergia. No campo da bioenergia, além de microalgas, a Embrapa tem atuado também na caracterização e agregação de valor a resíduos, bem como no aumento da eficiência energética em sistemas de aquecimento domiciliares com péletes e briquetes.

Os péletes são um tipo de lenha, extremamente densos, e devem ser fabricados com um baixo índice de umidade (abaixo de 1%), o que lhes permite serem consumidos, isto é, queimados com uma elevada eficiência calorífica. Já os briquetes são produzidos com resíduos de madeiras e transformam-se em combustíveis eficientes e ecologicamente corretos, podendo substituir lenhas extraídas das florestas brasileiras. São fabricados a partir de resíduos de serrarias e madeireiras por meio do processo de compactação mecânica.

A UFRO é uma instituição pública, que tem cerca de 10 mil alunos na cidade de Temuco. O acordo geral de colaboração assinado entre Embrapa e a universidade em 2007 acaba de ser renovado por mais cinco anos. 


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