Representantes do setor produtivo e de instituições de pesquisa de vários países reuniram-se nesta quinta-feira (01/12), em Brasília, no Workshop Pan-Americano de Sustentabilidade nos Plantios de Pinhão-Manso. A iniciativa foi da Associação Brasileira dos Produtores de Pinhão-Manso e da Curcas Brasil, com o apoio da Embrapa Agroenergia, da Embrapa Cerrados, da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA, na sigla em inglês) e do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA).

No evento, os participantes identificaram os principais desafios para a viabilização comercial da cultura. Além disso, criaram grupos de trabalho para facilitar o intercâmbio de material genético e informações entre pesquisadores latino-americanos.

O mexicano Alfredo Zamarripa, do Instituto Nacional de Investigações Florestais, Agrícolas e Pecuárias (Inifap), foi enfático ao apontar o desenvolvimento de uma cultivar comercial adaptada às condições ambientais de cada região como prioridade. Ele explicou que os produtores hoje enfrentam problemas de baixa produtividade e rendimentos, justamente porque só têm variedades silvestres como opção de plantio. 

Outros gargalos da produção identificados pelos especialistas são a falta de zoneamento agroclimático e de um sistema de manejo eficiente, além do destino da torta resultante do esmagamento dos grãos para a obtenção do óleo. Sobre o zoneamento, o pesquisador Bruno Laviola, da Embrapa Agroenergia, adiantou que está em fase de validação um mapa de aptidão climática para o pinhão-manso. Ele reforçou a necessidade de melhoramento genético e disse que é preciso tempo para resolver os problemas encontrados, já que se trata de uma cultura perene.

O presidente da ABPPM, Luciano Piovesan, pediu a inclusão dos órgãos oficiais de extensão rural nos trabalhos para o desenvolvimento do pinhão-manso. O objetivo seria a transferência do que já existe de conhecimento sobre a espécie para os agricultores. Ele também falou sobre a necessidade de definir formas de aproveitamento da torta de pinhão-manso, para valorizar o fruto. “O preço do óleo, sozinho, não remunera o produtor”, afirmou.

Piovesan ainda apontou a necessidade de recuperar de forma sustentável as áreas de pinhão-manso já plantadas no Brasil e de criar linhas de custeio agrícola para a cultura. O financiamento, contudo, só será possível com o zoneamento agroclimático, apontou o representante do MAPA, José Abreu.

Durante o evento, o vice-presidente da Roundtable on Sustainable Biofuels (RSB), o pesquisador malaio Khoo Hock Aun, apresentou os critérios definidos pela entidade para a certificação de sustentabilidade de biocombustíveis. Thilo Zelt, da Universidade de Lüneburg (Alemanha), mostrou os resultados de um trabalho que aplicou o padrão definido pela RBS na cadeia produtiva de óleo de pinhão-manso em Moçambique. Ele afirmou ser possível atender às exigências da RSB, mas fez um alerta: quem pretende buscar a certificação deve estar atento à questão do uso do solo. Plantações de pinhão-manso em áreas anteriormente ocupadas por florestas não conseguirão equilíbrio suficiente nas emissões de carbono para serem consideradas sustentáveis.

Banco de Germoplasma – nos campos experimentais da Embrapa Cerrados (Planaltina-DF), os participantes do workshop tiveram a oportunidade de conhecer o banco de germoplasma do pinhão-manso e alguns ensaios de cruzamentos entre espécies.

O banco de germoplasma, estabelecido em 2008 a partir de coletas feitas em todo o país, mantém mais de 200 materiais genéticos. A grande diversidade de materiais, de acordo com Laviola, permite a seleção dos melhores genótipos. “Essa seleção é importante para garantir a adaptação de cultivares e boa produção”, ressaltou. O objetivo dos cruzamentos, de acordo com o pesquisador, é obter materiais produtivos, com ausência de toxidade e resistente a doenças.

Fontes alternativas- na Embrapa Cerrados são desenvolvidas pesquisas com fontes alternativas de matéria-prima para agroenergia como dendê, macaúba, fevilha, tucumã, inajá e pequi.  Os pesquisadores Nilton Junqueira, Marcelo Fideles e Leo Duc apresentaram, respectivamente, os resultados com dendê, macaúba e fevilha, consideradas as culturas alternativas de maior potencial para produção de biocombustível.

As pesquisas com fontes alternativas ao pinhão-manso, segundo Nilton Junqueira, são importantes para que o agricultor possa ter produtos o ano todo. “A safra do pinhão-manso é em janeiro e fevereiro. O produtor não pode ficar parado o resto do ano, é preciso ter opções de outras espécies para fechar o ano”, ressaltou.

O cultivo de dendê no Cerrado é pioneiro, já que as condições climáticas diferem da área de ocorrência natural, a Amazônia. “A produção no Distrito Federal é um termômetro. Se conseguimos produzir aqui, será possível em qualquer outro lugar”, afirmou Junqueira. A recomendação para produção fora da Amazônia só ocorrerá em 2014 após avaliação de três safras.

A pesquisa com macaúba está na fase de sistematização das informações e  início da domesticação da cultura. Já em relação à fevilha, também conhecida como andiroba, estão sendo avaliadas duas variedades nativas com potencial para produção de óleo. A vantagem da fevilha é a rápida produção após o plantio, que varia de seis a oito meses, enquanto que o prazo para macaúba e pinhão-manso é de quatro anos.

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