A palmeira veio da África com os escravos adaptou-se bem em terras brasileiras. Hoje a área de plantio de dendê no país é de 120 mil hectares e está concentrada no Pará e na Bahia. Os frutos produzem o óleo de dendê, um líquido viscoso de cor laranja, usado na alimentação humana. O resíduo do óleo pode ser utilizado na produção de biodiesel.
Uma lavoura atravessou a fronteira das áreas tradicionais de plantio e foi parar no Planalto Central. Na Embrapa, em Planaltina, no Distrito Federal, os pesquisadores testam o desenvolvimento da planta nas condições do cerrado. Um dos motivos é que o dendê pode ser uma fonte alternativa à soja para a fabricação de biodiesel. “É uma espécie de alta produtividade, chega a produzir de 10 a 15 vezes mais do que a soja e produz um óleo de qualidade muito boa para biodiesel”, explica Nilton Junqueira, agrônomo da Embrapa-Cerrado.
Para o bom desenvolvimento das plantas no solo pobre do cerrado, os pesquisadores fizeram a correção do solo com calcário e uma boa adubação, principalmente com fósforo. Em pouco mais de cinco anos de experimento, a produtividade surpreende.
No Pará e na Bahia, uma planta adulta, com oito anos, rende até 25 toneladas de cacho por hectare. No cerrado, as palmeiras com cinco anos já produzem a mesma quantidade e quando estiverem na fase adulta, em plena capacidade, a expectativa dos pesquisadores é colher mais de 30 toneladas de cacho por hectare.
O dendê gosta de umidade, mas no cerrado ele encontrou a seca, são seis meses de estiagem por ano. Os pesquisadores recorreram a um método inovador para suprir a necessidade de água da planta.
Confira o vídeo com a reportagem completa e saiba como funciona a irrigação por microaspersão.
Os pesquisadores ainda vão observar a produtividade da lavoura por mais dois anos. Se o bom resultado se repetir, devem sugerir ao governo federal políticas públicas para incentivar o plantio do dendê no cerrado e no Nordeste.
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