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O mundo gastou quase meio trilhão de dólares em subsídios de produção e consumo de combustíveis fósseis, ano passado, informa a Agência Internacional de Energia (AIE). Em um ano, os subsídios passaram de US$ 110 bi para US$ 410 bi, e, segundo a agência, se a situação não for alterada, os subsídios podem atingir US$ 660 bilhões em 2020, ou 0,7% do PIB global.
Esse dinheiro teria ter sido mais bem gasto se aplicado na redução de emissões de gases estufa, comentam a AIE e a Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico, a OCDE, que reúne as maiores economias do mundo, em estudo divulgado nesta terça-feira, 4 de outubro.
No entanto, desde 2009, é compromisso formal do G-20 eliminar gradualmente essa ajuda, que “incentiva o consumo perdulário, reduz a segurança energética, impede o investimento em fontes de energia limpa e mina os esforços para lidar com a ameaça da mudança climática”, adverte o estudo.
Os subsídios contribuem para a volatilidade dos preços, afetando o mercado e tirando competitividade das energias renováveis e tecnologias energéticas eficientes, diz mais.
Pior: quanto mais sobem as cotações do petróleo, mais os subsídios encarecem, tornando-se um passivo econômico significativo, diz a AIE. Dos subsídios, a maior parte, 54%, foi para o petróleo.
No começo de novembro, a AIE divulgará seu World Energy Outlook 2011, com amplo estudo sobre efeitos da eliminação progressiva desses subsídios num cenário de segurança energética econômico importante, com benefícios ambientais.
Para identificar quem mais investe em políticas de apoio consideradas inadequadas, a OCDE elaborou o primeiro inventário desses gatos, realizados por mais de 250 mecanismos diferentes em 24 países do grupo, que representam 95% da OCDE.
 
Entre os dados do estudo, informa-se, por exemplo, que a Alemanha reduziu os subsídios à energia obtida de carvão de 5 bilhões de euros (US$ 6,6 bi) em 1999 para 2,1 bilhões (US$ 2,8 bi). E até 2018, essa energia estará banida da matriz energética alemã.
Também a França reduz gradualmente esse subsídio, de 1 bilhão de euros (US$ 1,3 bi) em 1990 para 92 milhões (US$ 122 milhões) em 2007, quando foi extinto, com programas sociais acompanhando o fechamento das minas. No México, os gastos em subsídio ao petróleo somaram US$ 629 milhões em 2009, e estão sendo reduzidos com a nova estratégia energética nacional de restringir esse apoio a famílias de baixa renda.
Nos EUA, em 2009 os subsídios ao setor energético somaram US$ 5 bi e o orçamento para 2012 propõe a eliminação de um grupo amplo de subsídios, para poupar gastos do governo em US$ 3,6 bi.
Irã, Arábia Saudita e Rússia são os países que concederam o maior volume de subsídios para o segmento, ano passado.