A francesa Louis Dreyfus Commodities pretende dobrar o faturamento com o negócio de processamento de caroço de algodão no Brasil. A previsão da empresa é faturar R$ 150 milhões com a atividade, que agora dobrou de tamanho com a aquisição da unidade da Brasil Ecodiesel, por R$ 40 milhões.

Somente com essa compra a LD deve obter receita adicional de R$ 80 milhões por ano, diz André Roth, diretor de grãos e oleaginosas da multinacional no Brasil. “O que fizemos foi mais que dobrar nossa capacidade de processamento de caroço no Brasil. Vemos que há oportunidades nesse momento de expansão do cultivo da pluma brasileira”.

Essa atividade da Dreyfus no Brasil é mais antiga que o próprio negócio de “trade” de algodão em pluma. A primeira e, até então, única esmagadora da empresa no Brasil é a de Paraguaçu Paulista (SP), inaugurada na década de 60 e que hoje tem capacidade para 140 mil toneladas de caroço por ano.

Com a aquisição, a capacidade da operação sobe para 300 mil toneladas de caroço por ano, cerca de 15% de tudo o que o Brasil deve processar dessa matéria-prima em 2011, diz Roth. A Dreyfus estima que a produção de caroço em 2011 será de 2,5 milhões de toneladas e o processamento de 2 milhões de toneladas. “A diferença vai para alimentação de bovinos de corte e ao segmento de biodiesel”, afirma.

A produção de óleo de algodão da Dreyfus, que tem como principais mercados o alimentício e o de biodiesel, vai subir de 22 mil toneladas para 50 mil toneladas. Esse produto tem mais valor agregado entre os três principais itens obtidos a partir do processamento do caroço — óleo, farelo e línter. “O preço de mercado do óleo de algodão é cerca de 15% superior ao de soja”, calcula Roth.

Já a produção de farelo, que é usado como ração na pecuária leiteira, crescerá de 77 mil para 165 mil toneladas. A de línter, uma fibra celulósica presente ao redor do caroço, será ampliada de 10 mil para 21 mil toneladas.

A previsão agora é exportar metade da produção total de línter da empresa. Até então, a companhia embarcava apenas 10% dessa fibra celulósica, que atende desde a indústria de papel e celulose até a de telas de LCD.

André Roth explica que a unidade recém-adquirida também tem condições de produzir óleo de algodão refinado, destinado à alimentação humana.

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