ANA CONCEIÇÃO – Agencia Estado

LONDRES – A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) defendeu hoje os investimentos em biocombustíveis, como o etanol e biodiesel. Segundo a entidade, os combustíveis “verdes” são uma forma de aumentar a segurança alimentar nos países de economia agrícola, ao estimular a criação de empregos e elevar a renda. “Feito corretamente, o desenvolvimento da bioenergia oferece a oportunidade de impulsionar o investimento e o emprego em áreas que estão literalmente morrendo de fome”, disse Heiner Thofern, que dirige o projeto de Bioenergia e Segurança Alimentar da FAO.

A posição da entidade reforça a defesa da produção de biocombustíveis em meio ao debate sobre o uso de terras agrícolas neste setor. A discussão se intensificou neste ano, depois que os preços dos alimentos atingiram recordes de alta em fevereiro. Alguns críticos argumentam que a expansão de terra dedicada à produção de biocombustíveis eleva ainda mais a pressão sobre os recursos agrícolas. Outros defendem que a iniciativa pode incentivar o desmatamento nos países em desenvolvimento, liberando mais carbono na atmosfera do que é compensado pela queima do etanol ou do biodiesel.

No entanto, a FAO afirmou que, se administrado com responsabilidade, a produção de biocombustíveis pode realmente desencadear investimentos necessários em infraestrutura agrícola e de transporte em áreas rurais. Heiner Thofern citou o crescimento de mercados potenciais de exportação para os produtos da bioenergia, como a Europa, o que daria aos países em desenvolvimento novas oportunidades comerciais.

A fim de ajudar os governos a avaliar a viabilidade do desenvolvimento da bioenergia e os impactos na disponibilidade de alimentos, a FAO desenvolveu uma estrutura para ajudar os formuladores de políticas pesar os prós e contras do setor. “Nosso objetivo é ajudá-los a tomar decisões ponderadas sobre se o desenvolvimento da bioenergia é uma opção viável”, disse Thofern. As informações são da Dow Jones. 

print