Promovido pela Ubrabio em Brasília, evento uniu governo, indústria, ciência e agronegócio para debater o avanço seguro das misturas, com encerramento marcado por imersão técnica em unidade produtora.
O futuro do biodiesel brasileiro consolidou-se como sinônimo de desenvolvimento socioeconômico, avanço tecnológico e segurança jurídica durante a VII Biodiesel Week, promovida pela União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio) entre os dias 12 e 14 de agosto, em Brasília. A abertura oficial do evento contou com a participação da ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, ao lado de Irineu Boff, presidente do Conselho Superior da Ubrabio, e Donizete Tokarski, presidente executivo da entidade. O encontro também reuniu vozes fundamentais para o desenvolvimento científico, agrícola e energético do país, como Bruno Laviola, chefe-geral da Embrapa Agroenergia, Guilherme Campos, secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), e Renato Dutra, secretário Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis do Ministério de Minas e Energia (MME), além de Pietro Mendes, Secretário Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis e Diretor da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
Sob o tema “Agricultura e transição energética: produzir, alimentar e descarbonizar”, os painéis de debate evidenciaram como o mercado de biocombustíveis fortalece diretamente a indústria nacional. Os palestrantes ressaltaram que a cadeia do biodiesel é um elo vital que conecta a produção agrícola, a atração de investimentos, o desenvolvimento tecnológico e a geração intensiva de empregos. Ao agregar valor às matérias-primas nacionais, o setor impulsiona o parque fabril brasileiro e gera oportunidades dinâmicas de desenvolvimento regional.
A consolidação e a expansão segura rumo aos teores de B20 e B25 foram amplamente discutidas com base no programa nacional de testes de misturas. Esta iniciativa científica sem precedentes prevê 6.300 horas de testes mecânicos, 2.250 ensaios físico-químicos em cerca de 20 veículos leves, pesados e agrícolas, além de um gerador, consumindo um total de 330 mil litros de combustível. De acordo com a diretoria do Departamento de Biocombustíveis do MME, o programa, construído coletivamente com produtores, montadoras, distribuidoras, Petrobras e universidades, garantirá o avanço com total segurança técnica e jurídica, com conclusão prevista para fevereiro de 2027.
O impacto socioeconômico e ambiental de cada avanço na mistura obrigatória também ganhou destaque com dados altamente expressivos. Foi demonstrado que cada ponto percentual adicionado à mistura obrigatória representa cerca de 800 milhões de litros a mais de biodiesel consumidos por ano. Esse crescimento reverte-se diretamente na geração de 4 mil novos empregos, na inclusão e benefício de 5 mil famílias de agricultores familiares e na retirada de mais de 3 milhões de toneladas de CO₂ da atmosfera, gerando saúde pública e preservação ambiental.
Para coroar a programação oficial da semana de debates, os participantes realizaram uma visita técnica detalhada à indústria de biodiesel da Binatural, localizada em Formosa (GO). Durante a imersão, o grupo pôde acompanhar o rigoroso controle exercido no laboratório de qualidade, o funcionamento da moderna sala de supervisório, além de percorrer a planta industrial e o parque de tanques. O momento reforçou o alto nível tecnológico do setor e valorizou as pessoas que constroem, no dia a dia, esse patrimônio nacional.
Ao encerrar o evento, o presidente executivo da Ubrabio, Donizete Tokarski, defendeu que o biodiesel deve ser tratado sob uma ótica de Estado e soberania. “O biodiesel não é apenas uma alternativa ao diesel fóssil. Ele é uma política de desenvolvimento que conecta agricultura, indústria, ciência, tecnologia, geração de empregos e segurança energética”, afirmou Tokarski. Para a Ubrabio, o Brasil detém uma experiência única no planeta e precisa capitalizar essa vantagem competitiva para atrair novos investimentos, fomentar a inovação contínua e garantir a real soberania do país.