Safra recorde na América do Sul e estoques elevados pressionam o mercado, enquanto valorização do óleo e cenário geopolítico sustentam os preços no curto e médio prazo.
O mercado global de soja segue com viés altista no curto e médio prazo, mesmo diante de fundamentos pressionados pela ampla oferta. A avaliação consta no Relatório de Inteligência de Mercado da Soja – Semana 15/2026, divulgado pela MerX, que aponta a combinação entre fatores geopolíticos, custos de produção e dinâmica do complexo soja como elementos centrais para a formação dos preços.
Entre os principais vetores de suporte está o desempenho do óleo de soja, que registrou valorização próxima de 30% desde janeiro, atingindo níveis ao redor de USc 65/lb. O movimento é impulsionado pela escalada das tensões no Oriente Médio e pela correlação com o mercado de biodiesel, em um contexto de forte alta do petróleo e dos custos energéticos.
Do lado da oferta, o cenário permanece confortável. Nos Estados Unidos, o relatório trimestral confirmou estoques elevados, com volume total de 57,3 milhões de toneladas, acima do ciclo anterior e da média dos últimos cinco anos. A composição dos estoques mostra concentração relevante no segmento comercial (off-farm), indicando maior disponibilidade de produto no sistema, mesmo com a capacidade de absorção da indústria esmagadora.
Na América do Sul, a produção segue robusta. No Brasil, a safra recorde se consolida com rendimentos acima da média e colheita avançando para 85,7% da área, em linha com a média histórica. Apesar do bom desempenho produtivo, o aumento dos custos de insumos chama atenção: o diesel acumula alta superior a 25%, enquanto fertilizantes registram valorização próxima de 60%, pressionando a relação de troca e as margens do produtor.
Na Argentina, o avanço da colheita ainda é limitado, atingindo 2,4% da área, impactado por chuvas recentes. As condições das lavouras permanecem favoráveis, com estimativa de produção mantida em 48,5 milhões de toneladas, sustentada por previsões climáticas positivas para o desenvolvimento final da safra.
No mercado internacional, o fluxo comercial segue influenciado pelas compras chinesas. Desde o início de 2026, a China adquiriu cerca de 11,5 milhões de toneladas de soja americana, frente a uma meta de 25 milhões de toneladas para o ano, conforme dados do relatório. Com a entrada da safra brasileira, a tendência é de redirecionamento da demanda para a América do Sul.
No mercado físico, a supersafra brasileira segue pressionando o basis, enquanto fatores externos sustentam os contratos futuros em Chicago. A elevação dos custos logísticos, especialmente do diesel, também exerce impacto direto sobre o frete e contribui para a formação de preços no interior do país.
De forma geral, o relatório indica que o mercado de soja permanece em um ambiente de equilíbrio entre oferta elevada e suporte vindo de fatores externos, com destaque para a valorização do óleo de soja e sua relação com o mercado de biodiesel, que seguem influenciando diretamente a dinâmica de preços no curto e médio prazo.
Sobre a MerX
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