Relatório da MerX aponta que o crescimento do processamento de soja e o fortalecimento da demanda por óleo vegetal ajudam a equilibrar o mercado, apesar das safras recordes na América do Sul.
O mercado global de soja segue amparado por uma demanda crescente por esmagamento e óleo vegetal, mesmo em um cenário de ampla oferta mundial. A avaliação faz parte da mais recente edição do Relatório de Inteligência de Mercado da Soja da MerX, que destaca o papel cada vez mais relevante dos biocombustíveis na sustentação do complexo soja.
Segundo o relatório, a produção mundial de soja deve atingir o recorde de 441,5 milhões de toneladas na safra 2026/27, enquanto o consumo também alcança máxima histórica, estimado em 440,7 milhões de toneladas. Apesar da elevada disponibilidade de grãos, o crescimento do esmagamento global começa a reduzir parte da folga do balanço de oferta e demanda.
O processamento mundial de soja deverá atingir 383,1 milhões de toneladas em 2026/27, avanço de 13,6 milhões de toneladas em relação ao ciclo anterior. A expansão é impulsionada principalmente pela demanda por óleo de soja e farelo, com destaque para o consumo industrial e energético.
A produção global de óleo de soja deve alcançar 74,7 milhões de toneladas, enquanto o consumo é projetado em 73 milhões de toneladas. Os estoques permanecem relativamente enxutos, com relação estoque/uso de apenas 7,2%, patamar considerado apertado para um mercado em crescimento.
O relatório ressalta que programas de biodiesel em importantes mercados consumidores seguem contribuindo para a firmeza da demanda. Mandatos de mistura nos Estados Unidos, Brasil e Indonésia aparecem entre os fatores que sustentam o consumo de óleo vegetal e ajudam a manter o esmagamento em níveis recordes.
Nos Estados Unidos, o fortalecimento da indústria de biocombustíveis continua absorvendo uma parcela crescente da produção agrícola. O consumo doméstico recorde de soja é impulsionado pelo esmagamento voltado à produção de óleo, contribuindo para reduzir os estoques finais do país para 8,4 milhões de toneladas, um dos menores níveis da série histórica recente.
As margens de esmagamento também permanecem atrativas. O board crush da CBOT alcançou níveis recordes, refletindo a forte valorização do óleo de soja. No Brasil, as margens seguem acima dos níveis observados em 2025, favorecendo a expansão do processamento doméstico.
A expectativa é de que o esmagamento brasileiro alcance 65 milhões de toneladas em 2026/27. Segundo a análise, a combinação entre o B15 em vigor e a perspectiva de avanço para o B16 contribui para ampliar a demanda interna por óleo de soja e reforçar a competitividade da indústria nacional.
Outro destaque é a crescente diferença de desempenho entre os produtos do complexo soja. Enquanto o farelo opera abaixo de sua média histórica, o óleo de soja registra forte valorização, impulsionado principalmente pela demanda associada aos biocombustíveis. Esse movimento confirma que o principal motor do esmagamento global atualmente está no mercado de óleo vegetal.
Embora a safra brasileira de soja deva atingir um novo recorde, estimada em cerca de 186 milhões de toneladas, a demanda gerada pelo processamento ajuda a absorver parte desse crescimento. O relatório conclui que o esmagamento global recorde se consolida como um dos principais pilares de sustentação do mercado, reduzindo os impactos baixistas decorrentes da ampla oferta de grãos.