No podcast Ouça o Agro, Donizete Tokarski e Luiz Gustavo Vicente defenderam que biodiesel e etanol já ocupam papel central na economia brasileira
No Ouça o Agro, podcast da CNA, Donizete Tokarski afirmou que os biocombustíveis deixaram de ser apenas uma agenda de futuro para se consolidarem como uma necessidade do presente. Ao abordar o cenário internacional de tensão e a dependência de combustíveis fósseis, ele sustentou que o Brasil deve enxergar o momento “não como oportunismo, mas como oportunidade de buscar a segurança energética cada vez mais”, associando o avanço do biodiesel e do etanol à capacidade de o país responder com produção, capilaridade industrial e previsibilidade.
Ao longo da entrevista, Tokarski reforçou que o debate vai além do tanque e alcança diretamente o campo e a produção de proteínas. Segundo ele, o biodiesel ampliou o esmagamento de soja no país e fortaleceu uma cadeia que gera farelo, ração, emprego e desenvolvimento regional. “O biodiesel no Brasil abriu um mercado de esmagamento de 35 milhões de toneladas de soja”, afirmou, ao defender que a política para biocombustíveis precisa ser compreendida como instrumento de industrialização e de agregação de valor à produção agropecuária.
Argumentos técnicos e econômicos para rebater mitos
O dirigente também ressaltou que o país reúne escala, legislação e qualidade para ocupar posição de liderança internacional. Na avaliação dele, o Brasil já dispõe de uma base regulatória robusta, ancorada na Lei do Combustível do Futuro, e de um produto competitivo. “Nós temos um produto que é inigualável em termos de qualidade, preço e substituição imediata do combustível fóssil”, disse, ao relacionar o biodiesel não apenas à transição energética, mas também à saúde pública, à interiorização do crescimento e à redução de vulnerabilidades externas.
Pelo viés técnico, Luiz Gustavo Vicente buscou desmontar uma das críticas mais recorrentes feitas ao etanol. “Mas isso não é causado pelo etanol em si”, afirmou, ao explicar que problemas atribuídos ao combustível, como corrosão e desgaste de componentes, normalmente estão ligados a falhas de armazenamento, presença de água ou contaminantes, e não à natureza do produto. Para ele, o avanço dos biocombustíveis também passa pelo incentivo ao desenvolvimento de motores mais adaptados, capazes de extrair melhor desempenho, eficiência e competitividade tecnológica.
Na reta final, Tokarski voltou a rebater a associação automática entre biodiesel e falhas mecânicas, defendendo que o problema costuma estar no manejo inadequado do combustível e dos equipamentos. “Nunca recebi uma informação técnica, científica, comprovando que é o biodiesel que dá o problema no veículo”, declarou. A mensagem central do episódio foi clara: o desafio brasileiro não é provar o valor dos biocombustíveis, mas ampliar informação qualificada, boas práticas e ambiente favorável para que etanol e biodiesel avancem como parte concreta da agenda energética, produtiva e ambiental do país.