Setor produtivo aponta capacidade instalada, potencial de agregar valor ao agro e defende avanço das misturas como medida de competitividade e segurança energética.

A Coalizão pelos Biocombustíveis levou ao Congresso, no último dia 25, o seminário “Mapa do Caminho – Biocombustíveis: a Rota mais Curta”, promovido pela Comissão Especial da Transição Energética.

O encontro reforçou a mobilização parlamentar para transformar o “mapa” em agenda de execução, com foco em previsibilidade regulatória, segurança jurídica e ampliação da produção nacional como eixo da transição energética brasileira. Ao abrir o debate, o deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP) sustentou que o Brasil deixou de tratar os biocombustíveis como uma aposta distante e passou a lidar com uma realidade econômica já incorporada à mobilidade e ao abastecimento.

A discussão ocorre em um momento em que a pauta do “mapa do caminho” ganha tração também no cenário internacional. Presidente da COP30 até novembro, o embaixador André Corrêa do Lago anunciou que, nesta semana, será publicado um chamado para que países e entidades inscritos na Convenção do Clima enviem sugestões, com consolidação prevista até a COP31, organizada por Turquia e Austrália. Ele reconheceu a dificuldade de consenso, mas indicou como aposta a implementação do que já foi aprovado no documento “Transição para Longe dos Combustíveis Fósseis de Forma Justa, Equitativa e Equilibrada” , da COP28, além do compromisso assumido por países como Brasil, Itália, Japão e México de quadruplicar a produção de combustíveis sustentáveis em menos de dez anos, com monitoramento até 2035.

No seminário, a mensagem central foi de cobrança por governança e cronograma. Parlamentares e representantes da cadeia defenderam que o Mapa do Caminho não pode ficar restrito a diretrizes genéricas, sem compromissos verificáveis e coerência regulatória para orientar investimento, produção e consumo. “O mapa do caminho não pode ser apenas uma intenção bem formulada. Precisamos ter compromissos de execução, calendário, segurança jurídica e previsibilidade para quem investe e para quem produz, distribui e consome” , afirmou Donizete Tokarski, diretor-superintendente da UBRABIO.

Do cronograma ao investimento

O debate também conectou transição energética ao cotidiano do Brasil que transporta e abastece. A avaliação compartilhada na Câmara é que o maior desafio está na matriz de transporte, sobretudo no diesel consumido por veículos pesados, onde a substituição de volume exige previsibilidade, qualidade e fiscalização robusta. Nesse ponto, os biocombustíveis foram apresentados como solução já consolidada, com potencial de crescimento sem necessidade de ampliação de área cultivada, além de capacidade de agregar valor à produção agroindustrial, fortalecer cadeias no campo e ampliar a competitividade do país em padrões internacionais de sustentabilidade.

Em paralelo ao encontro no Congresso, a pauta ganhou reforço em entrevistas sobre o debate. O CEO da Binatural, André Lavor, apontou que a coalizão ajuda a alinhar diferentes rotas, do biodiesel ao biometano e novas alternativas, e destacou a relevância de transformar lei em execução para sustentar o ciclo de investimentos. “A Lei do Combustível do Futuro veio nos trazer previsibilidade. A implementação nos traz a segurança que nós precisamos para continuar investindo” , disse. Ele também citou capacidade produtiva instalada superior a 15 bilhões de litros no biodiesel e defendeu que o avanço das misturas reduz a necessidade de importação de diesel, amplia o esmagamento de soja e reforça a segurança energética, especialmente em um ambiente de incertezas geopolíticas.

Ao final, a expectativa expressa pelo setor é que o Mapa do Caminho se traduza em governança, calendário e estabilidade regulatória, com instrumentos que sustentem a expansão e a inserção internacional, como padronização de protocolos de contabilidade de emissões, certificação e regras claras de mensuração, reporte e verificação. O recado que ficou do seminário foi que a transição, para ser efetiva, depende menos de novas promessas e mais de execução contínua, com previsibilidade para toda a cadeia, do produtor ao consumidor.

Embaixador André Corrêa do Lago
Deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP) e o Embaixador André Corrêa do Lago

A Coalizão pelos Biocombustíveis levou ao Congresso, no último, dia 25, o seminário “Mapa do Caminho – Biocombustíveis: a Rota mais Curta” , promovido pela Comissão Especial da Transição Energética. O encontro reforçou a mobilização parlamentar para transformar o “mapa” em agenda de execução, com foco em previsibilidade regulatória, segurança jurídica e ampliação da produção nacional como eixo da transição energética brasileira.

Ao abrir o debate, o deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP) sustentou que o Brasil deixou de tratar os biocombustíveis como uma aposta distante e passou a lidar com uma realidade econômica já incorporada à mobilidade e ao abastecimento. “O Brasil não está mais falando de biocombustíveis como uma promessa de futuro. Nós somos o presente e nós somos o futuro” , afirmou, ao defender que a Lei do Combustível do Futuro seja implementada com continuidade e base técnica.

A mensagem central foi direta: o Mapa do Caminho não pode ficar restrito a intenções bem formuladas. Parlamentares e representantes do setor insistiram na necessidade de compromissos verificáveis, com cronograma e coerência regulatória que deem sinal claro a quem investe, produz, distribui e consome. A leitura é que previsibilidade destrava decisões e acelera entregas, convertendo capacidade instalada em expansão e debate em resultado.

Previsibilidade para investir

No Painel 4, dedicado às metas dos biocombustíveis, o diretor-superintendente da UBRABIO, Donizete Tokarski, reforçou que o país não precisa “apostar no desconhecido” , mas sim ampliar aquilo que já entrega valor econômico e industrial, com efeitos diretos sobre logística, custo de vida e renda no campo. “O mapa do caminho não pode ser apenas uma intenção bem formulada. Precisamos ter compromissos de execução, calendário, segurança jurídica e previsibilidade para quem investe e para quem produz, distribui e consome” , disse, defendendo que a implementação integral da Lei do Combustível do Futuro seja tratada como prioridade de Estado.

A discussão também conectou transição energética ao dia a dia do Brasil que transporta e abastece. A avaliação compartilhada no seminário é que o maior desafio está na matriz de transporte, sobretudo no diesel consumido por veículos pesados. Nesse ponto, os biocombustíveis foram apresentados como solução já consolidada, com potencial de crescimento sem necessidade de expansão de área cultivada, além de capacidade de agregar valor à produção agroindustrial e ampliar a competitividade do país em padrões internacionais de sustentabilidade.

Em paralelo ao debate no Congresso, a pauta ganhou reforço em entrevistas sobre o encontro na Câmara. O CEO da Binatural, André Lavor, apontou que a coalizão amplia a capacidade de execução ao alinhar diferentes rotas, do biodiesel ao biometano e novas alternativas, e destacou que o setor produtivo opera com capacidade instalada relevante para sustentar avanço de mistura. “A Lei do Combustível do Futuro veio nos trazer previsibilidade, ela nos traz a segurança que nós precisamos para continuar investindo” , afirmou.

A expectativa do setor é que o Mapa do Caminho se traduza em governança, calendário e estabilidade regulatória, condições consideradas decisivas para destravar investimentos e acelerar entregas. O recado do seminário foi de que a transição, para ser efetiva, depende menos de novas promessas e mais de execução contínua, com segurança jurídica, fiscalização robusta e previsibilidade para toda a cadeia, do produtor ao consumidor.