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27/06/2019 – A necessidade de promover a redução do consumo de combustíveis fósseis, cuja queima agrava o processo de mudanças climáticas globais, tem mobilizado cientistas em todo o mundo, que dedicam suas pesquisas ao desenvolvimento de biocombustíveis. Uma das alternativas mais viáveis ao uso do petróleo é o biodiesel, que pode ser produzido a partir de diversas matérias-primas e por diferentes métodos.

Um panorama das investigações em torno desse tema é apresentado no livro A Closer Look at Biodiesel Production, que acaba de ser lançado. A obra, que é escrita em inglês e tem como editores três pesquisadores da Unicamp, reúne artigos de especialistas de diversos países, que trazem dados atualizados sobre os principais estudos que compõem esse campo científico.

Os editores são a pós-doutoranda Luisa Fernanda Rios Pinto, a doutoranda Érika Marques Takase e o pesquisador associado e professor colaborador Harrson Silva Santana, todos da Faculdade de Engenharia Química (FEQ) da Unicamp.

Luisa e Harrson foram convidados para elaborar o livro pela editora Nova Science Publishers, com sede em Nova York (EUA). Diante do desafio, eles convocaram Érika para ajudá-los a organizar a publicação. A obra reúne 13 artigos, a maioria produzida por grupos dedicados à pesquisa com biodiesel. “Contamos com a colaboração de alguns dos mais importantes pesquisadores da área. Eles tratam de diversos temas, entre eles matérias-primas, métodos de catálise e subprodutos originários do aproveitamento dos resíduos gerados pela produção do biodiesel”, revela Luisa.

O tópico “matéria-prima” é um dos que chamam a atenção tanto dos especialistas quanto do eventual público leigo.

As primeiras gerações de biodiesel eram produzidas a partir de óleos vegetais e banha animal. Atualmente, há estudos promissores sobre o uso de larvas de insetos e microalgas. Estas últimas, conforme Luisa, constituem uma valiosa fonte de lipídios [leia-se energia]. “As microalgas são abundantes na natureza. Elas são encontradas em grande concentração nos rios e mares. O problema é que o processo para remover a água desses organismos é muito caro, o que inviabiliza economicamente a produção do biodiesel. Entretanto, com o avanço das pesquisas, a tendência é que a ciência encontre uma alternativa para superar essa dificuldade”, entende.

Uma das vantagens do biodiesel, acrescenta Harrson, está justamente no fato de o biocombustível poder ser produzido a partir de inúmeras matérias-primas.

“Isso possibilita que utilizemos os insumos disponíveis em cada local, como larva de inseto, microalga, óleo vegetal e até mesmo resíduos gerados pela produção industrial ou pela população. Um dos objetivos do livro é chamar a atenção para essas questões, de modo a estimular o investimento em pesquisas na área. Com isso, o conhecimento vai avançar e poderemos chegar a soluções muito interessantes tanto do ponto de visto econômico quanto ambiental”, analisa.

De acordo com os editores, o Brasil ocupa um importante espaço nessa área do saber, o que faz com que o país dialogue em pé de igualdade com os mais importantes grupos de pesquisas do mundo.

“Nós lideramos os estudos sobre o bioetanol no mundo. O livro é uma representação desse nosso destacado papel. Além disso, nós também contamos com uma grande biodiversidade e com condições climáticas que favorecem, por exemplo, o desenvolvimento de plantas que sirvam de matéria-prima para a produção do biodiesel. Estamos enfrentando um momento de crise, com cortes no financiamento da pesquisa, mas temos um enorme potencial que pode e deve ser explorado”, avalia Érika.

Os três pesquisadores observam que o livro é voltado à comunidade científica dedicada à pesquisa sobre biodiesel, mas pode interessar também estudantes de graduação de diferentes áreas que buscam um tema para ingressar no programa de iniciação científica.

“As investigações nesse campo têm necessariamente que ter abordagens multidisciplinares. Uma área do saber não tem condições, sozinha, de dar todas as respostas às dúvidas que surgem. Os nossos trabalhos, por exemplo, são da área da Engenharia Química, mas contam com a colaboração de químicos, biólogos, físicos e cientistas da computação. Todos são bem-vindos”, pontua Luisa.

Fonte: Jornal da Unicamp