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06/06/2019 – No Brasil, as mortes em decorrência da poluição atmosférica aumentaram 14% em dez anos. Nesse período, o número de óbitos por Doenças Crônicas não Transmissíveis (DCNT) passou de 38.782 em 2006 para 44.228 mortes em 2016.  A constatação é do estudo Saúde Brasil 2018, do Ministério da Saúde, que utilizou dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM).

O número de mortes evitáveis por essas doenças cresceu, assim como a exposição ao O3 (poluição) em todo o país, com destaque para os grandes centros urbanos e estados castigados pelas queimadas.

Os dados foram apresentados nesta quarta-feira (05/06), durante comemoração do Dia Mundial do Meio Ambiente, em Brasília, pelo ministro da Saúde, Luis Henrique Mandetta.

“O SUS é muito mais que o atendimento nas inúmeras unidades de saúde. O Serviço Único de Saúde também tem uma agenda de vigilância ambiental, com foco nos mananciais, na qualidade da água e nos alimentos. Em relação ao ar, esse elemento é responsável por despesas diretas na saúde. Somente em 2018, o custo com internações devido a problemas respiratórios ultrapassou R$ 1,3 bilhão. Estimamos que, entre 2008 e 2019, esse gasto chegue a R$ 14 bilhões”, alertou o ministro.

De acordo com o Saúde Brasil 2018, a carga de mortalidade por Doenças Crônicas não Transmissíveis (DCNT) atribuída à poluição atmosférica foi avaliada segundo a metodologia e dados do Global Burden of Disease. Comparativamente, foi estimada a magnitude da mortalidade; quantidade de anos de vida potencialmente perdidos (YLL); fração de doenças cerebrovasculares (DCV), doença isquêmica isquêmica do coração (DIC), doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC); e câncer de pulmão, não atribuível e atribuível à poluição, na população (FAP). Foram calculadas variações dessas medidas no período.

O grupo de DCNT levadas em consideração no estudo foram: isquêmica do coração (DIC); pulmonar obstrutiva crônica (DPOC); os cânceres de pulmão, traqueia e brônquios, atribuíveis ou não à poluição do ar em homens e mulheres de todas as idades no Brasil nos anos de 2006 e de 2016. Também foi avaliada a exposição da população ao Ozônio (O3) e ao material particulado atmosférico (MP2,5).

As doenças isquêmicas do coração atribuídas à poluição do ar foram responsáveis pelo maior número de mortes, tanto em homens (180,9 óbitos por 100 mil habitantes, em 2006; 141,3 óbitos por 100 mil habitantes em 2016) quanto em mulheres (111,0 óbitos por 100 mil habitantes, em 2006; 84,4 óbitos por 100 mil habitantes em 2016). Em seguida, ficaram as doenças cerebrovasculares, com taxas que declinaram de 112,7 por 100 mil habitantes, em 2006, para 80,7 por 100 mil habitantes em 2016, nos homens; e de 70,6 por 100 mil habitantes em 2006 a 51,2 por 100 mil habitantes em 2016, nas mulheres.

Comparando-se os resultados encontrados para óbitos em homens e mulheres, verificou-se, no Brasil, aumento nas mortes por câncer de pulmão, traqueia e brônquios e doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) atribuídas à poluição em ambos os sexos. No entanto, os casos em mulheres para câncer de pulmão, traqueia e brônquios (37,6%) e DPOC (18,9%) foram maiores que nos homens (11,4%).

MORTES POR POLUIÇÃO MUNDIAL
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), calcula-se que ocorram anualmente 4,2 milhões de mortes prematuras atribuídas à poluição do ar ambiente no mundo. Desse total, 91% ocorrem em países de baixa e média rendas do Pacífico e Sudeste Asiático.

A organização também estima que a poluição do ar tenha sido responsável no ano de 2016 por cerca de 58% de mortes prematuras por doenças cerebrovasculares (DCV) e doenças isquêmica do coração (DIC); 18% por doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) e infecção respiratória aguda baixa; e 6% por câncer de pulmão, traqueia e brônquios.

As políticas públicas nacionais e internacionais já adotadas para intervenção nas emissões atmosféricas ou hábitos individuais expressam a redução da morbimortalidade por doenças respiratórias e canceres. Alguns dos exemplos são a política antitabagismo e a retirada, até a eliminação, do chumbo na gasolina desde o final da década de 1980, do século passado.

Embora a alta carga de doença que a poluição impõe à população, com impacto nos serviços de saúde, as políticas públicas para controle, monitoramento e redução dessa poluição são de responsabilidade e envolve vários setores, como indústria, transporte, energia, combustível, meio ambiente, entre outros. A população também é parte importante nesse processo.

Fonte: Ministério da Saúde