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Descarte do óleo de cozinha e fossa ecológica estão entre os projetos. Mercado busca integrar as construções com a proteção ao meio ambiente.

O Dia Mundial do Meio Ambiente, comemorado no domingo (5), alertou mais uma vez sobre a necessidade do uso consciente dos recursos naturais. Em Goiânia, o termo sustentabilidade deixou o papel já começa a ganhar espaço no mercado imobiliário. Algumas construtoras desenvolvem ações e projetos que preveem desde o descarte correto do óleo de cozinha, até o reaproveitamento de madeira e construção de fossas ecológicas.

Pensando em resolver um problema pessoal, o desenhista projetista e administrador de empresas Mauro Augusto Silva idealizou um projeto para descarte correto de óleo de cozinha.

“A minha empregada sempre jogava o óleo na pia e, quando ele esfriava, ia se solidificando e ficava uma crosta nos canos. Assim, tínhamos problemas constantes com entupimentos. Fui pesquisar sobre o assunto e soube o quanto esse óleo é prejudicial, pois, além desses transtornos domésticos, ainda polui os nossos rios”, disse.

Estudando sobre o assunto ele criou o “Sistema de Granelização de Óleo de Cozinha”, que consiste em uma cuba instalada na cozinha, ao lado da pia, onde o material usado pode ser descartado. Por meio de um cano, ele leva o óleo até um tambor e, com uma bomba, transfere o produto para outro reservatório. Depois, um caminhão vai ao local e recolhe esse material.

“Pensei inicialmente em instalar esse sistema em prédios, pois normalmente os espaços são pequenos e seria muito prático que os moradores pudessem fazer esse descarte na própria cozinha. Aí, o caminhão pode ter o acesso ao reservatório com óleo pelo lado de fora do prédio, sem necessidade de entrada”, explica Silva. O desenhista projetista diz que recebeu verbas do governo estadual para desenvolver o projeto, em 2010, e, no final de 2015, chegou a ganhar um prêmio pela iniciativa.

“Minha ideia é bem simples e viável. O objetivo é que esse óleo retirado dos imóveis seja destinado à reciclagem para a produção de biodiesel. Esse material depois pode ser revertido para o benefício próprio, pois esse tipo de combustível já pode ser usado em geradores de energia e até em alguns veículos. Ou seja, pegamos um problema e revertemos ele na solução para diminuir a poluição e o aquecimento global, pois reduz a emissão de CO2”, diz.

Segundo Silva, a construtora Queiróz Silveira apoiou o projeto e já faz as adaptações em um prédio que está em construção no Setor Marista, em Goiânia. “Esse prédio será o primeiro a ter esse sistema de descarte correto do óleo. Depois, a construtora já planeja instalar o sistema em um shopping, que será construído no Novo Mundo. Esses projetos serão inovadores e sustentáveis, pois todo o óleo descartado poderá ser revertido em benefícios para os próprios imóveis”.

Ele diz que já apresentou o projeto à Secretaria do Meio Ambiente, Recursos Hídricos, Infraestrutura, Cidades e Assuntos Metropolitanos (Secima) de Goiás e busca ampliá-lo para o uso em residências e até mesmo em escolas.

“Eu conversei com o secretário do Meio Ambiente e ele disse que o projeto é inovador e poderia ser implantado em prédios públicos, por exemplo. Neste caso, o descarte do óleo seria manual, ou seja, seria necessário que o material fosse colocado em garrafas ou algum outro recipiente e jogado no tanque. Depois, o caminhão faria a coleta. Até os alunos poderiam recolher esse óleo usado nas suas casas e descartar no local. Ainda sigo no aguardo de apoio para ampliar a aplicação do projeto”, ressaltou Silva.

Em nota enviada ao G1, a Secima confirmou que o secretário Vilmar Rocha teve conhecimento sobre a ação e sugeriu que fosse criado um projeto para implantação nas escolas públicas. No entanto, essa ideia deve ser apresentada para análise da Secretaria Estadual de Educação, Cultura e Esporte (Seduce).

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