Editorial – Jornal Agroenergético n° 70
Manoel Teixeira Souza Júnior, chefe-geral da Embrapa Agroenergia

A presidente Dilma Rousseff sancionou, no último dia 23 de março, a lei que possibilita o aumento gradual do percentual de biodiesel adicionado ao óleo diesel nas vendas ao consumidor final, ao máximo de 10% no decorrer dos próximos 36 meses.

Essa é uma excelente notícia para o setor de biodiesel no Brasil, que tem a oportunidade de reduzir a sua capacidade ociosa, e, consequentemente, aumentar ainda mais a sua contribuição no que diz respeito à questão de sustentabilidade ambiental.

À medida que cresce a demanda por biodiesel, ocasionada tanto pelo aumento na demanda de combustível quanto pelo aumento da mistura obrigatória, ou pela combinação destes fatores, cresce a necessidade do país discutir alguns temas diretamente associados a este setor, que são: aproveitamento de resíduos, diversificação de matéria-prima, inclusão social, entre outros.

Nesta edição do Agroenergético, aproveitamos a oportunidade para apresentar aos interessados informações sobre pesquisas, por nós realizadas, que visam o aproveitamento de resíduos e a diversificação de produtos, e que dizem respeito diretamente ao setor de biodiesel. A integração da cadeia de produção de biodiesel com a cadeia de produção de cogumelos se materializa mediante aproveitamento de torta de pinhão manso e de algodão, oferecendo a ambas cadeias oportunidade de aumento da competitividade. Outro exemplo apresentado nesta edição é o aproveitamento do efluente da extração do óleo de palma, mais conhecido como POME, para a produção de biogás.

Por fim, também destacamos nesta edição algumas ações adicionais que estamos realizando tanto com o setor de biodiesel, quanto com outros setores, para promover parcerias público-privadas. A Embrapa Agroenergia foi selecionada para ser a primeira instituição de pesquisa da Região Centro-Oeste com status de Unidade EMBRAPII (Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial – www.embrapii.org.br). De fato, somos também a primeira unidade de pesquisa da Embrapa a alcançar tal status. A unidade EMBRAPII da Embrapa Agroenergia foca o tema “Bioquímica de Renováveis: Enzimas, biocombustíveis”, onde entendemos existir diversas possibilidades para promoção de parceria com indústrias do setor de biodiesel.

Contatos tem sido feitos com representantes do setor visando identificar oportunidades de projetos de pesquisa a serem submetidos no âmbito da nossa Unidade EMBRAPII. Oxalá possamos, já na próxima edição do Agroenergético, divulgar sucessos decorrentes destes contatos.
 


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