A poluição do meio ambiente é uma preocupação em todos os países. E ao abastecer o veículo o consumidor pode economizar no combustível e também gerar menores índices de poluição. O diesel, combustível de caminhões e ônibus, é o grande vilão da poluição no trânsito. Já que é composto de hidrocarbonetos mais pesados. No Brasil, o consumo atual de diesel é de aproximadamente 60 bilhões de litros/ano.

Na composição do diesel há metais pesados, que são altamente nocivos para a saúde, já que eles se acumulam no organismo humano e, depois de alguns anos, chegam a causar problemas graves para a saúde.

O biodiesel é uma alternativa para ajudar a resolver esse problema. A adoção do combustível renovável e isento de enxofre nas frotas melhora a qualidade do ar que a população respira, sem impactos financeiros para os usuários, já que todo veículo movido a diesel pode ser abastecido com B20 – mistura de 20% de biodiesel no diesel fóssil – sem que sejam necessárias adaptações nos motores, e o biodiesel hoje é mais barato que o diesel fóssil em quase todas as regiões do País.

Muitas cidades do País e do mundo já fazem por exemplo o uso do B20 no abastecimento da frota urbana de ônibus. O melhor exemplo é a cidade de São Paulo (SP) – entre o período de 2011 e 2013 foram dois mil ônibus abastecidos com essa mistura. O projeto foi implantado por meio de parceria entre a Viação Itaim Paulista (VIP), a B100 Energy e a Prefeitura Municipal de São Paulo.

Além disso, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) concedeu autorizações para usos específicos de B20, entre 2010 e 2014, a outras nove empresas de São Paulo.

A capital do Mato Grosso apoia o uso do B20. Em breve, a frota de ônibus do município irá utilizar o biocombustível. O Rio de Janeiro (RJ) faz testes também em sua frota e pretende usar B20 em 23 mil ônibus nas Olimpíadas de 2016. Curitiba também usa o B20 na sua frota.

Outro exemplo significativo é dos Estados Unidos, onde existem cerca de 600 postos de combustíveis comercializando o B20. O diretor superintendente da União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio), Donizete Tokarski, explica que desde 2005, o governo norte-americano concede aos agentes fornecedores de diesel um incentivo denominado “Biodiesel Income Tax Credit” que garante US$ 1/galão (3,785 litros) de biodiesel ou diesel renovável na etapa final de comercialização da cadeia. “Existem também incentivos estaduais que diferem caso a caso, no Texas, Iowa, Illinois, Michigan e Dakota do Norte”, complementa.

Pesquisa

Dados da Ubrabio estimam que o uso de B20 pela frota urbana de ônibus das 40 maiores cidades brasileiras representaria a redução de 300 milhões de litros diesel na atmosfera e assim, menor efeito estufa.

Para se mensurar, cada litro de diesel é responsável pela emissão de 2,75 quilos de dióxido de carbono (CO2). Assim, o uso de 300 milhões de litros de diesel emite 825 mil toneladas de CO2.

No caso do biodiesel, há redução de 70% dos índices de emissão de CO2 em relação ao diesel. “300 milhões de litros de biodiesel representam 577,5 mil toneladas de CO2 evitadas por ano com o B20 nessas cidades. Isso representa a captura de CO2 equivalente ao plantio de 3,6 milhões de árvores. Só um ônibus usando B20, em um ano, evita em emissão de CO2 o equivalente a 132 árvores”, ressalta Tokarski.

Benefícios

O B20 também reduz em 20% a emissão de material particulado, o que representa 37,5 toneladas de particulados a menos na atmosfera/ano. “Essa redução tem ação efetiva na qualidade do ar que a população respira e, consequentemente, na redução de gastos sociais decorrentes da poluição atmosférica”, informa o diretor-superintendente da Ubrabio.

A Ubrabio defende o aumento gradual para o B8 até em julho desse ano, podendo chegar ao B10 nos próximos dois anos.

O tema

O aumento da mistura do biodiesel no diesel e o B20 foi tema de discussão em maio desse ano. O Seminário B20 Metropolitano – Mobilidade Sustentável para as Cidades, promovido pela Ubrabio e Embrapa Agroenergia, com apoio da Frente Parlamentar Mista do Biodiesel e do Banco de Brasília – BRB, reuniu as prefeituras das 40 maiores cidades brasileiras com autoridades do governo federal e instituições de ensino e debateu sobre o assunto, além de promover a tomada de decisão dos gestores, empresas e usuários do sistema de transporte.

“É preciso que a sociedade seja informada dessa possibilidade de uso de um combustível sustentável e competitivo do ponto de vista econômico, além de melhorar a qualidade de vida nas cidades”, explica Tokarski.

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