Lançado na última quarta-feira (1°) no Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o livro “Parâmetros Físico-Químicos para os Processos de Produção de Biodiesel” apresenta dados que permitem projetar equipamentos mais eficientes para produção de biodiesel de óleos de soja, pinhão manso, girassol e mamona. O consultor técnico da Ubrabio (União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene) Donato Aranda explica que o estudo, inédito no Brasil, traz subsídios para a indústria e contribui para a diversificação de matérias-primas.

“Na literatura mundial, há pouco daquilo que publicamos apenas para biodiesel metílico de soja. Publicamos para biodiesel etílico de soja e o metílico e etílico dessas outras três oleaginosas (girassol, mamona e pinhão manso). Isso irá permitir o uso dessas matérias-primas sem risco de diminuição de rendimentos”, explica Aranda, que é professor da Escola de Química da Universidade Federal do Rio de Janeiro e um dos coordenadores da publicação.

O Brasil é o segundo maior produtor de biodiesel no mundo, um combustível renovável, isento de enxofre, que reduz as emissões de poluentes e gases do efeito estufa em relação ao diesel fóssil. Atualmente, todo óleo diesel terrestre comercializado no país conta com a mistura de 7% de biodiesel (B7).

“Para fazer biodiesel precisamos de um óleo (ou gordura) e um álcool (metanol ou etanol). O Brasil importa metanol e é um grande produtor de etanol. Por que não usamos etanol para produzir biodiesel? Um dos motivos é a falta de subsídios técnicos”, conta o pesquisador, e acrescenta que o mesmo vale para a diversificação de óleos. “Cada matéria-prima possui sutilezas nas reações e nas etapas de purificação”.

Financiado pelo MCTI, via Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), o livro reúne os principais resultados alcançados por um grupo de pesquisadores do Instituto Nacional de Tecnologia (INT/MCTI), Universidade de Brasília (UnB), UFRJ e Universidade Federal de Alagoas (UFAL), com o objetivo de preencher essas lacunas.

Participaram do evento representantes do MCTI, Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Casa Civil, CNPq, Embrapa e Ubrabio.

Plataforma Nacional de Biorrefinarias

Na oportunidade do lançamento do estudo, a Ubrabio cumprimentou o MCTI pelo apoio à pesquisa e inovação que contribuíram de forma significativa para a consolidação do biodiesel no Brasil.

O diretor superintendente da Ubrabio, Donizete Tokarski, solicitou ao secretário de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação, Armando Zeferino Milioni, a continuidade da Plataforma Nacional de Biorrefinarias Integradas, a Plataforma BioBrasil, que integra o Programa Nacional de Plataformas do Conhecimento (PNPC). Sob o comando do MCTI, o projeto pretende articular o sistema empresarial com pesquisa e inovação para gerar avanço científico com impactos diretos na vida da população brasileira.

A proposta da Plataforma BioBrasil foi entregue pelo chefe-geral da Embrapa Agroenergia, Manoel Souza, ao ministro Aldo Rebelo em abril deste ano, durante audiência marcada pela Ubrabio, liderada pelo presidente do Conselho Superior da entidade, Juan Diego Ferrés, acompanhado de dirigentes e associados da Ubrabio, que também contou com a presença do secretário de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação, Armando Zeferino Milioni, da secretária executiva do MCTI Luciana Acioly, do ex-diretor da ANP (Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) Haroldo Lima, do diretor da ANP Florival Carvalho, do presidente da Frente Parlamentar Mista do Biodiesel, deputado federal Evandro Gussi (PV-SP).

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