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Relatório da ONU alerta a necessidade de frear o aquecimento global. Segundo o documento, o uso de energias renováveis precisa aumentar e a extinção de combustíveis fósseis deve acontecer até 2100. No cenário brasileiro, biodiesel vigora em 7% adicionado ao diesel fóssil, desde o dia 1º, e confirma o compromisso o país com a redução nas emissões de poluentes.

Divulgado neste domingo (2), em Copenhague, na Dinamarca, o 5º Relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU (IPCC, na sigla em inglês) alerta para a urgência de medidas globais para frear o aquecimento do planeta. De acordo com o relatório, o acúmulo de dióxido de carbono, metano e óxido nitroso na atmosfera alcançou níveis sem precedentes nos últimos 800 mil anos e os danos causados por esse processo podem ser irreversíveis se a transição para um novo paradigma de consumo não começar agora.

O documento foi elaborado com a participação de mais de 800 cientistas de 80 países, e indica que as nações precisam aumentar de 30% para 80% o uso de energias renováveis até 2050, para evitar que as mudanças climáticas se tornem irreversíveis, e zerar o uso de combustíveis fósseis — o principal motor da economia mundial — até 2100.

No Brasil, a recente aprovação da Lei 13.033/14, que aumentou os percentuais obrigatórios da mistura de biodiesel ao diesel fóssil comercializado em todo território nacional para 6% (B6), em 1º de julho deste ano, e para 7% (B7), desde o último sábado (1º), contribui para a expansão da oferta de energia limpa e renovável do país.

Utilizado na escala de 7% (B7), o biodiesel reduz em 5% as emissões de CO2, evitando a liberação de aproximadamente 9 milhões de toneladas de CO2/ano na atmosfera. Além de benefícios socioeconômicos – como geração de emprego desde o campo à indústria, impacto positivo na balança comercial brasileira (pela redução da importação do diesel de petróleo), garantia renda ao agricultor familiar, e aumento do PIB -, esse biocombustível estimula o desenvolvimento de tecnologias limpas.

A Ubrabio (União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene), comprometida com a redução das emissões de GEE, tem dialogado com o Governo, Congresso Nacional e, em especial, a ANP (Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) e o Ministério de Minas e Energia (MME), em busca da previsibilidade do aumento da participação do biodiesel na matriz energética brasileira.

Recentemente, a entidade propôs aos prefeitos das 40 cidades brasileiras com mais de 500 mil habitantes – aglomerados que sofrem mais intensamente com a poluição atmosférica –, a utilização do B20 (mistura de 20% de biodiesel ao diesel fóssil) no transporte coletivo urbano. Isso melhora a qualidade do ar, gera bem estar às pessoas e contribui para o futuro sustentável do planeta.

Em valores médios, a adoção do B20 Metropolitano representa uma queda de 15% nas emissões de material particulado (Partículas Sólidas Suspensas) e no teor de monóxido de carbono (CO), liberados pela queima do diesel fóssil. O uso do B20 também reduz em 20% o teor de óxidos de enxofre (SOx).

Qualidade de vida

Além da redução desses poluentes, há um tipo específico de material particulado que é o mais problemático (carcinogênico), são os poliaromáticos condensados. O uso de B20 reduz em 20% o teor desse tipo mais perigoso de material.

Presente principalmente no ar das grandes cidades, o material particulado decorrente da combustão de combustíveis fósseis pode penetrar nos pulmões e na corrente sanguínea, causando doenças cardíacas, câncer de pulmão, asma e infecções respiratórias.

O teor de 20% de biodiesel adicionado ao diesel fóssil tem ação efetiva na qualidade do meio ambiente e vai ao encontro da Agenda do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), que prevê a redução do teor de enxofre no óleo diesel (Resolução 403/08).

B20 em circulação

O exemplo de maior representatividade do B20 já pode ser experimentado na cidade de São Paulo, sendo utilizado em 2.000 ônibus, por intermédio da associada à Ubrabio, B100 Energy. A experiência deixa de lançar na atmosfera da capital paulista cerca de 100 milhões de toneladas de óxidos de enxofre (SOx) e 5.600 milhões de toneladas de monóxido de carbono (CO).