União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene quer que a mistura passe de 6% para 7%

Deve ser votado nesta terça, dia 5, na Câmara dos Deputados, o relatório da comissão mista que trata do aumento da mistura de biodiesel no diesel convencional. A expectativa é de que o índice passe para 7% a partir de novembro.

A medida tem estimulado pesquisas para a produção do biodiesel a partir de diferentes matérias-primas. Em 2010, a Agência Nacional do Petróleo tornou obrigatória a mistura de 5% de biodiesel. Em julho deste ano, o índice passou para 6%. Agora, a União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio) espera o novo aumento da mistura.

– Nós temos hoje a capacidade de aumentar o biodiesel de 6% que é praticado, até 12% se utilizássemos a capacidade total das indústrias. Então, para esse aumento não é necessário mais investimento. Nós entendemos que, pela ociosidade das indústrias, que beira a 60%, seja necessário propor um aumento gradativo até 2018, passando, em 2018, para 10% – diz o diretor superintendente da Ubrabio, Donizete Tokarski.

Dos oito bilhões de litros de biodiesel, que poderiam ser fabricados por ano, o Brasil produz apenas a metade. O óleo de soja representa 74% da matéria-prima usada para a fabricação do biocombustível; 20% é de gordura bovina; 2% óleo de algodão e 1% de fritura. Os 3% restantes englobam outros materiais como gordura de porco.

O biodiesel também pode ser feito a partir de oleaginosas menos comuns, como o pinhão-manso e a macaúba. Uma das matérias-primas com grande potencial para produção de biodiesel é o dendê. A principal vantagem é a alta produtividade do óleo, que pode chegar a seis toneladas por hectare ao ano, enquanto a soja produz meia tonelada. Mas os pesquisadores tem o desafio de otimizar o processo de produção, que acaba se tornando mais caro em função da acidez do produto.

– A soja, normalmente, tem acidez bem abaixo de 1%, enquanto você encontra o óleo de dendê ou palma com acidez acima de 5%. O que a gente quer é desenvolver formas de ter a produção em uma única etapa, com isso você reduz custos e também tempo no processo de produção do biodiesel – explica a pesquisadora da Embrapa Agroenergia Itânia Soares.

No laboratório da Embrapa Agroenergia, os pesquisadores também estão desenvolvendo outro projeto para monitorar a qualidade do biodiesel, no caminho entre a usina e o posto de combustíveis.

– A gente sabe que fica uma parte da cadeia descoberta. A parte do transporte, do armazenamento, da distribuição para os postos. Nesse projeto, o que a gente vai fazer é monitorar o biodiesel desde a saída da usina até os postos, contemplando a parte microbiana, essa contaminação que a gente sabe que pode acontecer com o biodiesel. O objetivo é desenvolver métodos que possam impedir essa degradação química e microbiana – esclarece Itânia.

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