Assisti, ontem, no Canal Rural, a uma entrevista do presidente da Associação Catarinense dos Criadores de Suínos – ACCS – Losivânio de Lorenzi, comentando os custos de produção e os reflexos, principalmente, dos preços do farelo.

Hoje li, no Diário Catarinense, matéria a respeito da produção de biodiesel em Joaçaba/SC.

A ADM instalou uma usina do biocombustível naquele município e no último leilão promovido pela ANP, para abastecimento do mercado durante os meses de maio e junho, vendeu 18 milhões de litros. Se supusermos que todo volume foi produzido com óleo de soja, teremos o uso também de aproximadamente 18 milhões de litros do mesmo como matéria-prima, pois no processo de fabricação, ao final, resulta o que chamaríamos de “um por um”, já que os resíduos corresponderiam, praticamente, aos outros insumos – além do óleo – usados no processo produtivo.

Cada litro de óleo de soja produzido garantirá a oferta de quatro vezes seu volume sob forma de farelo.

Uma empresa produtora do biocombustível e que necessitou esmagar aproximadamente 90 mil toneladas de soja para produzir 18 milhões de litros de óleo gerou, para o mercado, cerca de 70 mil toneladas de farelo.

O preço de tal produto está alto, em função da demanda no mercado internacional. Não fora, no entanto, a produção de biodiesel em Santa Catarina, possivelmente a soja usada para tal fim fosse exportada como grão, já que o mercado para óleo é restrito.

Desta forma, a indústria que esmagou a soja para o combustível renovável garantiu aumento da oferta de farelo em um estado com forte presença de agroindústrias do setor de proteínas animais, consequentemente demandante de rações.

Setenta mil toneladas correspondem, neste período de dois meses, a mais de duas mil carretas carregadas com farelo.

Muitas vezes, alguns setores do agronegócio não percebem como é importante estimular outros que lhe são vinculados.


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