Presidente da Ubrabio coordena participação da Câmara Setorial do Biodiesel junto à CNI no Plano Nacional sobre Mudança do Clima. 

Mario Cardoso, especialista de Política e Indústria II da CNI, convidou a câmara setorial para que encaminhe sugestões com foco no biodiesel e bioquerosene para o Plano Nacional sobre Mudança do Clima. No Plano, a CNI trata do que compete ao setor privado brasileiro na elaboração de metas para reduzir a emissão de gases do efeito estufa. O documento integra um plano maior, que deve ser enviado pelo Ministério das Minas e Energia (MME) às Nações Unidas. A ação faz parte dos compromissos assumidos na Conferência Rio+20, realizada no ano passado, no Rio de Janeiro, mesma oportunidade em que a Ubrabio assumiu a representação nacional do setor de bioquerosene, por meio do lançamento da Plataforma Brasileira do Bioquerosene (PBB).

Programa para Bioquerosene nos moldes do PNPB

No MAPA, a reunião trouxe para debate uma apresentação sobre a necessidade de definição de políticas públicas para tornar a oportunidade do bioquerosene uma realidade no Brasil, nos moldes do Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel (PNPB). Entre os presentes estavam as empresas associadas à Ubrabio que atuam no setor do bioquerosene: Curcas Diesel, representada por seu presidente, Mike Lu, AMYRIS, representada pelo diretor Adilson Liebsch, que é também diretor de biocombustíveis de aviação da Ubrabio, e o gerente de inteligência de negócios da Solazyme Brasil, Luis Rodrigues.

Adilson Liebsch apresentou os benefícios socioeconômicos e ambientais gerados pelo bioquerosene e destacou a perspectiva de que o querosene limpo seja um setor de inovação tecnológica e agregação de valor para o Brasil. “O desafio da aviação mundial é de continuar crescendo e reduzir as emissões de gases de efeito estufa”, declarou o diretor de biocombustíveis da Ubrabio ao enfatizar a oportunidade trazida pela Plataforma Brasileira do Bioquerosene.

O PNPB é um sinônimo de sucesso em desenvolvimento sustentável, com inclusão social produtiva, geração de emprego e renda, impacto positivo na balança comercial brasileira e benefícios à saúde pública e ao meio ambiente. Um exemplo da contribuição do setor pode ser verificado em algumas cidades brasileiras, como São Paulo, que já usufrui de uma redução significativa das emissões de monóxido de carbono, particulados, poliaromáticos e óxidos de enxofre com o uso do biodiesel metropolitano (B20 – 20% de biodiesel adicionado ao diesel fóssil de grandes frotas de ônibus).

“Agora fica claro também que, essa prática, além do uso mandatório de 5% de biodiesel ao diesel em todo o território nacional, tem um grande impacto na redução dos GEE. De acordo com a ANP, em 2012 consumiram-se cerca de 2.7 bilhões de litros de biodiesel. Se utilizarmos o valor de 70% de redução nas emissões de GEE, podemos estimar em 5 milhões de toneladas de CO2 a menos emitidos no Brasil em 2012, graças ao biodiesel”, explica o consultor técnico da Ubrabio e prof. PhD, Donato Aranda.

Segundo Aranda, se somarmos todo o biodiesel consumido no Brasil desde 2008, quando iniciou-se o PNPB, as emissões evitadas de GEE já chegam a 19.6 milhões de toneladas de CO2. “Olhando para o futuro próximo, um aumento de 5 para 7% de biodiesel para mistura no diesel significa uma redução adicional de 2 milhões de toneladas de CO2. Mais um motivo para a ampliação do uso do biodiesel no Brasil”, conclui.

Ainda à exemplo do PNPB, a implementação do setor de bioquerosene no Brasil pode trazer não apenas benefícios ambientais como também socioeconômicos. Em encomendado pela Ubrabio à FGV, no que diz respeito à agricultura familiar, apenas em 2010, com o B5, foram contabilizadas 103 mil famílias incluídas no Programa.  Se o país pudesse ampliar para o B10, seriam mais de 153 mil famílias de agricultores.

 

O Plano Nacional sobre Mudança do Clima

De acordo o Ministério do Meio Ambiente (MMA), o Plano Nacional sobre Mudança do Clima “visa a incentivar o desenvolvimento e aprimoramento de ações de mitigação no Brasil, colaborando com o esforço mundial de redução das emissões de gases de efeito estufa, bem como objetiva a criação de condições internas para lidar com os impactos das mudanças climáticas globais”.

Estruturado em quatro eixos – oportunidades de mitigação; impactos, vulnerabilidades e adaptação; pesquisa e desenvolvimento; e educação, capacitação e comunicação, o Plano tem como principais objetivos:

1) Identificar, planejar e coordenar as ações para mitigar as emissões de gases de efeito estufa geradas no Brasil, bem como àquelas necessárias à adaptação da sociedade aos impactos que ocorram devido à mudança do clima;

2) Fomentar aumentos de eficiência no desempenho dos setores da economia na busca constante do alcance das melhores práticas;

3) Buscar manter elevada a participação de energia renovável na matriz elétrica, preservando posição de destaque que o Brasil sempre ocupou no cenário internacional;

4) Fomentar o aumento sustentável da participação de biocombustíveis na matriz de transportes nacional e, ainda, atuar com vistas à estruturação de um mercado internacional de biocombustíveis sustentáveis;

5) Buscar a redução sustentada das taxas de desmatamento, em sua média quinquenal, em todos os biomas brasileiros, até que se atinja o desmatamento ilegal zero;

6) Eliminar a perda líquida da área de cobertura florestal no Brasil, até 2015;

7) Fortalecer ações intersetoriais voltadas para redução das vulnerabilidades das populações;

8) Procurar identificar os impactos ambientais decorrentes da mudança do clima e fomentar o desenvolvimento de pesquisas científicas para que se possa traçar uma estratégia que minimize os custos sócio-econômicos de adaptação do País.

Amanhã (11), acontece no MAPA a primeira reunião do novo GT. A Ubrabio estará representada pelo consultor técnico da entidade e prof. PhD, Donato Aranda.

 


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