Cresce a preocupação entre as empresas que produzem biodiesel no país de que a Agência Nacional de Petróleo e Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) opte por elevar o percentual de mistura do produto no diesel de 5% para 6%, e não para 7%, que já era dado como certo

Segundo uma fonte ligada a uma empresa produtora, “não há motivo algum que justifique a alta para 6% e não 7%”, uma vez que há oferta disponível. Em relatório divulgado em março, a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) divulgou que a ociosidade na capacidade instalada das fábricas de biodiesel chegava a 60%.

Em 2012, o país produziu 2,71 milhões de metros cúbicos de biodiesel e, em 2011, 2,67 milhões de metros cúbicos. “Temos condições de segurar o abastecimento se a mistura passar para 7% mesmo sem investimento, apenas com a capacidade instalada”, diz o relatório.

A Abiove lembra também que, pela primeira vez na história, o Brasil será o maior produtor de soja no ano. “O país deverá produzir mais de 82 milhões de toneladas de soja, dos quais 38 milhões serão processados em fábricas esmagadoras. Com isso, haverá disponibilidade recorde de 7,4 milhões de toneladas de óleo de soja, suficiente para garantir o aumento da participação de biodiesel na matriz de transportes brasileira sem prejuízo do consumo alimentar, industrial ou das exportações”, diz relatório.

Atualmente, 76% do biodiesel produzido no Brasil tem a soja como matéria-prima, seguida de 17% de sebo bovino e 4% de óleo de algodão. Em termos de dependência energética, diz a Abiove, a maior inserção do biodiesel reduziria a necessidade de importação de diesel mineral, ao menos no curto e no médio prazos. Hoje, essas importações representam cerca de 20% do consumo interno de diesel.

A ANP informou que não comenta rumores de mercado e que as políticas ligadas ao biocombustível são de responsabilidade do Ministério de Minas e Energia.


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