A necessidade de um marco legal para o desenvolvimento do bioquerosene na matriz energética brasileira.

Na última terça-feira (19), a União Brasileira do Biodiesel e Bioquerose – Ubrabio reuniu-se com a Aliança Brasileira para Biocombustíveis de Aviação (Abraba) e agentes do setor para discutir a consolidação e o desenvolvimento do bioquerosene na matriz energética renovável do Brasil.

Guilherme Freire, representante da Embraer na Abraba; Adalberto Febeliano, consultor técnico da ABEAR (Associação Brasileira da Empresas Aéreas); Adilson Liebsch, diretor de marketing da Amyris Pesquisa e Desenvolvimento de Biocombustíveis; e a diretoria da Ubrabio – representada pelo presidente Juan Diego Ferrés estiveram presentes no encontro. Também participaram representantes da aviação comercial e da cadeia produtiva dos biocombustíveis, que incluiu uma comitiva de associados à Ubrabio.

Na reunião foram discutidos os objetivos do setor em relação à produção e a comercialização do bioquerosene no País. A Ubrabio disse estar à vontade e preparada para representar com sucesso o BioQAV. Liebsch, da Amyris, pontuou o papel relevante da Ubrabio à frente de toda a cadeia produtiva do biodiesel e disse que este trabalho serve como modelo para a implantação do bioquerosene na aviação nacional.

A situação do tema junto ao governo – considerando ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil), Ministério das Relações Exteriores, Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Ministério de Minas e Energia, e Casa Civil – também foi pauta da reunião. A Ubrabio informou que foi aprovado um requerimento apresentado pelo senador Rodrigo Rollemberg para a realização de uma audiência pública sobre o bioquerosene na CMA – Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle. Os participantes concordaram que o assunto ainda está difuso no Governo e que é preciso aproximá-lo dos processos que envolvem o bioquerosene no Brasil.


A diversificação de matérias-primas foi outro assunto da reunião. Para Aranda, consultor da Ubrabio, a questão da segurança alimentar do biodiesel brasileiro – que não compete com a produção de alimentos como nos EUA, por exemplo – serve como um modelo para a produção nacional do bioquerosene. O presidente da Curcas Diesel, Mike Lu, apontou quatro matérias-primas que são foco de estudos e que julga principais para o bioquerosene. São elas: Pinhão-manso, que deve ter seu espaço na agricultura familiar no final de 2014; Camelina, que é desenvolvida em parceria com a Embrapa Soja e é uma opção para os produtores do Norte e do Oeste do Paraná; óleo de cozinha, que é foco de projetos da Prefeitura de São Paulo; e a gordura animal, que é hoje uma das principais fontes para a produção de biodiesel.

Freire, da Embraer, afirmou que o encontro foi importante para definir novos caminhos e parceiros, e lembrou a situação da indústria global do transporte aéreo, que contribui com aproximadamente 2% da emissão de gases do efeito estufa. O representante da Embraer disse que o desafio é atender a demanda crescente de um setor abastecido por uma matéria-prima finita, por isso, a importância e a urgência de um marco legal para a utilização de biocombustíveis em substituição aos combustíveis fósseis.

Preparatória

Durante a manhã a Ubrabio esteve reunida com empresas associadas para tratar do avanço do Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel (PNPB), destacando o aumento imediato da mistura vigente B5 (5% de biodiesel adicionado ao diesel fóssil) para B7 e a implementação do B20 Metropolitano e do Interiorano a partir da Copa do Mundo FIFA 2014. Também estava presente o professor Phd Donato Aranda, consultor técnico da Ubrabio.

Estiveram presentes na reunião as associadas B100, Granol, Gea Westfalia, Dedini, BDI/Tecnal, BC Empreendimentos e Participações, Camera, Saybolt e Curcas Diesel. As empresas integraram a comitiva que participou da reunião com a Abraba.

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