Encontrar tendências num mar de variáveis que cercam a produção de biodiesel a partir do pinhão manso é o objetivo de uma equipe de pesquisadores da Embrapa e da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ)

ImagemCom apoio de parceiros e empresas em diferentes Estados, algumas luzes começam a surgir para o melhoramento genético de plantas, colheita e processamento da semente, beneficiamento do óleo, bem como o uso adequado dos resíduos.

Nos últimos dois anos, mais de 300 amostras de diferentes variedades de pinhão manso foram analisadas nos laboratórios da Embrapa Agroindústria de Alimentos (Rio de Janeiro/RJ). Verificou-se que na maior parte delas, havia alto teor de Ester de forbol, um composto químico tóxico presente na semente com potencial carcinogênico, de acordo com a pesquisadora Adelia F. Faria-Machado.

O foco do melhoramento genético junto a outras Unidades da Embrapa como a Agroenergia (Brasília-DF) mais a UFRRJ são plantas com baixa toxidez, mas com boa produtividade, alto teor de óleo e resistência a pragas e doenças. As análises feitas no Rio ajudam a orientar os melhoristas pra a seleção das plantas com maior potencial.

Uma outra rota de pesquisa é a destoxificação da torta resultante da prensagem da semente. Isto porque sem a toxidez, a torta pode ser usada na composição de rações, minimizando o passivo ambiental e criando um produto de valor agregado. Mesmo sem resultados finalísticos, as pesquisas indicam que o uso de hidróxido de sódio ou peróxido de hidrogênio associado à extrusão da torta pode ser um caminho viável.

Ao mesmo tempo, com o apoio da Faperj, os pesquisadores identificaram o ponto ideal de maturação dos frutos de pinhão manso. De acordo com a pesquisadora Rosemar Antoniassi, da Embrapa, a questão era achar o momento ideal da colheita para melhor aproveitamento do óleo. “Num mesmo cacho, você encontra diferentes pontos de maturação do fruto. Vimos que o acúmulo de óleo acontece antes mesmo de o cacho ficar totalmente seco”.

É nesta hora que entra a estratégia da secagem dos frutos. “O fruto é composto de polpa e semente e apresenta muita umidade. Retirar a polpa e secar a semente adequadamente garantem a qualidade do óleo com baixa acidez, ideal para síntese de biodiesel”, explica Rosemar.

A baixa acidez (inferior a 2%) é o que se busca para produção de biodiesel. No entanto, em função de variedades ou processamentos inadequados esse teor pode chegar a 15%, inviabilizando a produção.

Com a identificação dos principais pontos críticos, resta equacionar as variáveis e as soluções para viabilizar os negócios em torno do pinhão manso. “O setor produtivo pode colaborar muito como parceiros nestes projetos. Desta forma, os resultados podem chegar mais cedo no campo e na agroindústria”, concluiu Rosemar.


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