AInvestimentos em bioquerosene são apresentados em Simpósio na Embrapa pegada de carbono da Copa do Mundo que será realizada no Brasil daqui a dois anos pode chegar a 14 milhões de toneladas. Ou seja, a estimativa é que todas as atividades envolvendo esse grande evento esportivo produzam 14 toneladas adicionais de gás carbônico que serão lançadas na atmosfera, contribuindo para agravar o efeito estufa.  Para diminuir esse grande volume de gás carbônico, e dar visibilidade ao produto mais verde, o presidente da Curcas Brasil, Mike Lu, propôs que o bioquerosene seja usado em todos os voos do evento.

Em sua exposição no Simpósio Nacional de Biocombustíveis de Aviação, promovido pela Embrapa Agroenergia, na semana passada, Mike informou que está previsto para 2013 o início da instalação de uma unidade produtora de bioquerosene em Guaratinguetá/SP, junto à unidade industrial da Basf. A iniciativa é da Plataforma Brasileira de Bioquerosene, lançada pela União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio) durante a Rio+20. Para o suprimento de matéria-prima, a Plataforma conta com o polo de pinhão-manso do Espírito Santo e deve introduzir a cultura no Oeste e no Norte do Paraná. “A ideia é que a Plataforma Brasileira de Bioquerosene seja aberta e altamente colaborativa”, explicou.

Mike mostrou a preocupação do grupo com o elo agrícola da cadeia produtiva. “Sem agricultura de alta tecnologia, não se obtêm biocombustíveis”, enfatizou. A inserção da agricultura familiar também está entre os objetivos. Pinhão-manso, camelina, gordura animal e babaçu são as matérias-primas que a Plataforma vai apoiar imediatamente. Num segundo momento, a cana-de-açúcar, a macaúba e as algas devem entrar nesse rol.

Bioprocessos

Duas grandes empresas que começam a atuar no Brasil estão utilizando bioprocessos para produzir biocombustíveis de aviação. A Solazyme utiliza algas para converter açúcares em óleos que posteriormente são utilizados para a produção de biocombustíveis, entre eles o de aviação. “Nossas algas trabalham sem luz natural e consomem açúcar por meio de processos fermentativos para produzir triglicerídeos para várias aplicações”, explicou Thomas Jad Finck, diretor de Desenvolvimento de Negócios, Combustíveis e Química da Solazyme. A primeira planta industrial da empresa no Brasil deve entrar em operação no final de 2013, para produzir químicos e biocombustíveis, numa joint venture com a Bunge, no interior de São Paulo.

A Amyris, por sua vez, está utilizando ferramentas de biologia sintética para alterar a rota metabólica de leveduras, de modo que elas sejam capazes de transformar açúcares em óleos. “Você começa a pensar na levedura como se ele fosse a sua refinaria”, comparou o diretor de desenvolvimento de combustíveis da empresa, Adilson Liebsch, em sua palestra no Simpósio. A tecnologia da empresa foi utilizada para produzir o biocombustível com que a Azul Linhas Aéreas voou de Campinas/SP ao Rio de Janeiro, durante a Rio+20.

De acordo com Liebsch, a intenção da Amyris é alcançar o uso comercial do seu bioquerosene na Copa de 2014, abastecendo primeiramente o Aeroporto Internacional de Viracopos (Campinas/SP). A empresa está se instalando junto a usinas de cana-de-açúcar no interior paulista para aproveitar o potencial da cultura. “A eficiência da cana em conversão de açúcar em energia ainda é imbatível”, ressaltou.

Futuro

Na opinião do pesquisador da Embrapa Soja, Décio Gazzoni, os biocombustíveis aéreos serão o “grande filão” da agroenergia no futuro. Ele acredita que, ao contrário dos aviões, os veículos terrestres substituirão mais rapidamente os combustíveis líquidos por alternativas como a energia elétrica e a fotovoltaica. “Eu vejo aviões sendo movidos até o final do século com biocombustíveis líquidos”, disse.

O chefe de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Agroenergia, Guy de Capdeville, explicou que o Brasil tem sido foco das companhias interessadas no bioquerosene pelo seu potencial único de produção de biomassa. “Pelas ações da Embrapa, das Universidades e outras instituições de pesquisa temos hoje toda a tecnologia agrícola necessária para desenvolver sistemas de produção para qualquer cultura que sirva de matéria-prima para biocombustíveis e qualquer outro produto dentro da lógica de biorrefinarias”, acrescentou.

O Simpósio Nacional de Biocombustíveis de Aviação contou com o apoio do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Distrito Federal (FAP-DF), além do patrocínio das empresas Boeing, Intecnial e Pensalab.


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