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O Pará iniciou uma expansão na produção de dendê, incentivado pelo seu uso como biocombustível, com o objetivo de diminuir a dependência brasileira da importação de óleo de dendê.

Só em 2011 foram gastos US$ 46,5 milhões ( R$ 79,8 milhões) com a aquisição desse óleo no mercado externo — os valores das importações do produto avançaram 414% em relação a 2010, conforme a Folha publicou no dia 25.

O dendê, ou palma de óleo, é o fruto do dendezeiro — ou palma. O principal uso é na indústria alimentícia, mas cresce o interesse pela transformação em biodiesel.

O plano de expansão, incentivado pelo governo federal, esbarra na competitividade do mercado internacional, porque o Brasil tem custos maiores de produção do que, por exemplo, a Colômbia, que paga tarifas mais baixas do que os rivais asiáticos.

A expectativa é que o crescimento barateie a produção. “Com o ganho de escala proveniente da expansão, espera-se que os custos de produção e de logística caiam”, diz João Abreu, coordenador-geral de agroenergia do Ministério da Agricultura.

RESTRIÇÃO E EXPANSÃO
A expectativa do setor é que ocorra também restrição ao consumo do óleo produzido pela Malásia e pela Indonésia, os principais produtores, criticados pelo desmatamento que a expansão do cultivo provoca e pela baixa remuneração da mão de obra.

Em 2010, o Brasil produziu 248 mil toneladas de óleo de dendê. No Pará, que responde por 96% da produção, o setor prevê uma expansão de até cinco vezes, em até 20 anos. Para isso, há previsão de aumento na área plantada, bem como na produtividade dos cultivos.

Nessa região, o cultivo da palma atrai empresas como Petrobras e Vale, interessadas no biodiesel.

Segundo a Federação da Agricultura e Pecuária do Pará, até 2013 haverá cerca de 250 mil hectares plantados de dendezeiro no Estado. Além disso, há 1 milhão de hectares reservado ao cultivo — a área será usada à medida que a produção crescer.