O Rio Grande do Sul será o primeiro Estado do Brasil a implantar uma Câmara Temática da Agroenergia. O ato de instalação, coordenado pelo secretário da Agricultura, Pecuária e Agronegócio, Luiz Fernando Mainardi, para o qual foram convidadas mais de 40 instituições envolvidas com a produção de agroenergia, será realizado às 14h desta quarta-feira (9), no auditório da Emater.

O objetivo desta Câmara Temática, que será composta por empresas de produção de energia, de pesquisa, de extensão rural, representantes de produtores, entre outras, será o de unir os diferentes atores envolvidos com a produção de biocombustíveis (biodiesel, etanol, biogás) e discutir questões pertinentes à agroenergia, cumprindo um papel de interlocução entre o setor agroenergético gaúcho e o Estado, compartilhando informações e responsabilidades.

O coordenador técnico da Câmara, Valdecir Zonin, , afirma que a ideia é de, já na primeira reunião, instituir grupos de trabalho para tratar do etanol, do biodiesel e do biogás. Com isso, segundo ele, pretende-se dar início ao processo de organização das cadeias produtivas e à formação de um banco de dados, que irá auxiliar a Secretaria da Agricultura no direcionamento de políticas públicas e na complementação das ações já em andamento pelo Governo Federal.

Tomando-se como base a institucionalização do Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel (PNPB), em 2005, houve uma rápida disseminação de indústrias pelo país, perfazendo, na atualidade, 61 produtoras de biodiesel. Destas, nove estão localizadas no Rio Grande do Sul, sendo que seis estão em plena operação.

Somente no ano de 2010, o Estado produziu 576 milhões de litros, representando 25% da produção nacional de biodiesel. Neste ano, até o mês de outubro, a indústria gaúcha já absorveu o equivalente a 30,3% da produção do RS. Trata-se, portanto, de um tema em ampla expansão no Rio Grande do Sul – que é referência nacional na produção deste biocombustível -, mas que necessita de um acompanhamento maior do Governo, o que será viabilizado por meio desta câmara temática.

Porém, segundo pesquisas, um dos maiores gargalos existentes na cadeia produtiva diz respeito à originação de matérias-primas agrícolas para o abastecimento do mercado, até então altamente concentrada na soja (87%). Assim, há necessidade de se ampliar a oferta de oleaginosas para a produção de biodiesel, por meio de projetos de diversificação das culturas, como vem ocorrendo no caso da Canola, nas regiões do planalto, missões e norte do Estado, que vem se consolidando como cultura alternativa de inverno e complementar à soja para atender a demanda.

No que tange ao etanol, a produção é ainda incipiente no Rio Grande do Sul, tendo em vista que há uma única indústria operando em solo gaúcho, a Coopercana, em Porto Xavier. A sua produção em escala comercial está em torno de 7 milhões de litros/ano, o que representa apenas 5 a 6% do consumo do Estado.

Esta situação, segundo o secretário Luiz Fernando Mainardi, faz com que o RS descubra e desenhe seu modelo próprio de produção de etanol. “Um modelo que se adapte à realidade produtiva, de clima, de solos, e possa contemplar desde pequenos, médios e grandes empreendimentos, a partir de diversas matérias-primas como a cana-de-açúcar, sorgo sacarino e amiláceas como a mandioca, batata e arroz”, concluiu Mainardi.

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