Com o objetivo de propor ações integradas para otimizar o programa de melhoramento genético da palma de óleo (dendê), a Diretoria da  Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa – nomeou três grupos de trabalho que realizaram reunião conjunta nos dias 20 e 21 de outubro em Brasília/DF, na sede da Embrapa Agroenergia, em Brasília (DF). “Esta é uma fase propositiva, onde apresentaremos propostas de ações integradas para subsidiar a estratégia de intensificação do programa de melhoramento genético do dendê na Embrapa”, declarou o chefe-geral da Embrapa Agroenergia, Manoel Teixeira Souza Jr.

“A demanda mundial de óleo de palma cresceu 167% entre 1998 e 2010, passando de 17 para 45.5 milhões de toneladas. Essa demanda continuará crescendo nos próximos anos, devendo chegar a 63 milhões em 2015. As principais iniciativas governamentais que se destacam para viabilizar o incremento da produção de óleo de palma no Brasil são: o Programa Nacional de Produção e Uso de Biodiesel (PNPB) e o Programa de Produção Sustentável de Palma de Óleo, lançados respectivamente em 2004 e 2010.

Porém, para que essa expansão ocorra é imprescindível que exista uma oferta de sementes e mudas de cultivares superiores em quantidade suficiente para atender a demanda. Esses cultivares serão oriundos de programas de PD&I que tenham um componente de melhoramento genético.

O programa de PD&I de Palma de Óleo da Embrapa é o único atualmente em curso no Brasil que tem o melhoramento genético como um dos seus focos. Atualmente, o programa de pesquisa genética do dendê da Embrapa é também um braço científico do Programa de Produção Sustentável de Palma de Óleo, do Governo Federal”, explicou ele.

Propostas e novos rumos sugeridos para o programa de pesquisa em palma de óleo definidos pelos grupos de trabalho serão encaminhados em relatório para deliberação da Diretoria Executiva, concretizando um importante instrumento para o programa de melhoramento genético de dendê desenvolvido por diferentes unidades do sistema Embrapa.

Grupos de Trabalho
Cada um dos grupos de trabalho trouxe contribuições sobre o cenário atual e propostas de ações de acordo com a vertente com a qual atua.

O Grupo de Trabalho 1 apresentou o estado da arte do Banco Ativo de Germoplasma (BAG), considerando o incremento necessário para as pesquisas de melhoramento genético do dendê com a incorporação de ferramentas de biotecnologias nas pesquisas. “Precisamos descobrir como associar nesse programa o melhoramento convencional do dendê feito hoje com as ferramentas de biotecnologias já existentes”, explica o pesquisador da Embrapa Amazônia Ocidental, Edson Barcelos. Atualmente existe um BAG da Embrapa na Estação Experimental do Rio Urubu (EERU), no Amazonas, que precisa ser renovado.

O Grupo de Trabalho 2 contribuiu com as discussões sobre clonagem do dendê. O objetivo desse grupo é definir protocolos de clonagem da Elaeis spp a partir do material definido pelo programa de melhoramento. A pesquisadora Regina Quisen ressalta que todos os procedimentos de clonagem definidos nesse GT serão utilizados como ferramentas do programa de melhoramento. Daí a importância do trabalho em conjunto na opinião da pesquisadora. “Temos que definir uma estratégia em conjunto para operacionalizar todas as demais atividades com foco no programa de melhoramento”.

Além da pesquisa de Regina Quisen, na Embrapa Amazônia Ocidental, com clonagem de plantas adultas, a Embrapa Amazônia Oriental e a Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia são as unidades que também desenvolvem pesquisas com clonagem de dendê.

Por fim, o terceiro grupo de trabalho está voltado para as pesquisas com sementes e mudas da palma de óleo, mantendo uma relação direta com o trabalho dos demais grupos, visto que uma das propostas finais é que a Embrapa chegue a materiais genéticos capazes de produzir sementes comerciais de alta qualidade.

Soraya Barrios, gerente adjunta de sementes e mudas da Embrapa Transferência de Tecnologia, conta que a Unidade trouxe contribuições para a discussão apresentando uma avaliação, o cenário e os avanços decorrentes dos investimentos feitos nos procedimentos padrão adotados nos campos de produção de sementes de palma de óleo, no Rio Urubu, no Amazonas e no escritório de negócios em Manaus.

Entre as estratégias propostas por esse grupo para melhorar a produção de sementes e mudas de dendê estão a oferta de sementes de melhor qualidade e com maior taxa de germinação, a melhoria do processo, da polinização à produção de sementes pré-germinadas, e grande ampliação da capacidade de produção, considerando cenários futuros de 10 anos, com acentuado incremento da demanda pela palma de óleo.

Além das estratégias gerais, Soraya destaca as emergenciais que foram apresentadas como “a recuperação dos campos de matrizes de psíferas (progenitores masculinos), transferência do campo de produção de sementes do Rio Urubu para o escritório de Manaus a fim de diminuir custos e mão-de-obra, e a ampliação do campo de produção de matrizes no Pará, ficando mais próximo do mercado consumidor”.

Resultados da reunião
Após dois dias de reunião, os grupos elaboraram documento conjunto com sugestões de encaminhamentos a serem adotados por todas as Unidades da Embrapa que trabalham com pesquisa de palma de óleo, dada a importância de que as ações sejam desenvolvidas de modo integrado.

Esse documento será apresentado no fim deste mês para a Diretoria Executiva, que após analisar as propostas, elaborará um plano de negócios para o programa de melhoramento genético do dendê na Embrapa, que também deverá contribuir para o estabelecimento de parcerias com diferentes segmentos desse setor crescente na economia brasileira.

Cristiane Vasconcelos

print