Consolidada a mistura de 5% de biodiesel ao diesel, as indústrias processadoras de óleo querem começar a “fase 2” do programa. “É hora de refletir e pensar nos próximos passos”, diz Fábio Trigueirinho, secretário-geral da Abiove (Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais).

A produção de biodiesel, que deve chegar a 2,6 bilhões de litros neste ano, está calcado na soja, que representa 84% da matéria-prima utilizada pelo setor.

A produção de biodiesel do Brasil utiliza 1,96 milhão de toneladas de óleo de soja.

Trigueirinho diz, no entanto, que haverá uma diversificação maior no leque de matérias-primas a serem utilizadas, com a palma ganhando importância.

Ele destaca que o país deveria pensar mais a longo prazo e estabelecer metas para 2020. Eventuais mudanças nessa programação, como antecipação no percentual de mistura estabelecido, poderiam ser decididas pelo Conselho Nacional de Política Energética. “Foi o que já ocorreu com a antecipação da mistura de 5%, cuja previsão era apenas para 2013.”

“O setor necessita de um horizonte claro”, diz ele. O estabelecimento desse programa, que deve ser discutido com o governo, viabilizaria tanto os investimentos da parte agrícola como o aproveitamento maior da utilidade de capacidade de moagem das indústrias.

Uma das vantagens do avanço desse programa seria a agregação maior de valor às matérias-primas que seriam utilizadas na produção do óleo, aumentando a industrialização interna e diminuindo as exportações de grãos, segundo ele.

Foi o caminho tomado pela Argentina, que já está com percentual de mistura de 7% e exporta 1,8 milhão de toneladas de biodiesel para a Europa. As exportações argentinas são viáveis, no entanto, porque o governo dá tratamento tributário diferenciado para o biodiesel, reduzindo a tributação.

Mauro Zafalon

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