Com R$ 6 bilhões em investimentos até 2030, empresa amplia capacidade industrial, reforça a liderança brasileira em biocombustíveis e transforma a Lapa em vitrine global da transição energética

O Grupo Potencial anunciou um novo ciclo de investimentos de R$ 6 bilhões até 2030 e colocou o Paraná no centro de uma das mais ambiciosas apostas da agroenergia brasileira. A expansão do complexo industrial da Lapa marca uma nova etapa de crescimento da companhia, com ampliação relevante da capacidade produtiva e a consolidação de um modelo integrado que reúne biocombustíveis, coprodutos e infraestrutura logística em larga escala.

Na prática, o movimento posiciona a empresa para alcançar um patamar de destaque mundial. A projeção apresentada prevê capacidade anual de até 1 bilhão de litros de etanol, 1,7 bilhão de litros de biodiesel, 500 milhões de litros de óleo degomado e 9 milhões de metros cúbicos de biogás. É uma estrutura que combina soja, milho e energia renovável em um mesmo ecossistema industrial, elevando a competitividade da produção nacional.

O primeiro marco dessa nova fase já foi entregue, com a inauguração da nova esmagadora de soja e da segunda maior planta de glicerina refinada do mundo. Até o fim de 2026, o plano prevê novos avanços, entre eles a terceira planta de biodiesel, uma Estação de Tratamento de Efluentes em circuito fechado, a implantação de dutos para transporte de biocombustíveis e gás e iniciativas voltadas à meta de resíduo zero. Hoje, cerca de 95% dos resíduos gerados nas operações já são reaproveitados.

A estratégia de expansão foi desenhada de forma modular. No caso da soja, a capacidade de esmagamento passará de 3.500 para 7.000 toneladas por dia, o que deve levar o complexo a processar cerca de 2,3 milhões de toneladas por ano. Já o projeto de etanol de milho será implantado em três módulos, somando 7.200 toneladas diárias, ou aproximadamente 2,6 milhões de toneladas por ano, ampliando a diversificação energética do grupo.

Arnoldo HammerschmidtSócio-Diretor na Potencial Petróleo Ltda
Arnoldo Hammerschmidt, Sócio-Diretor na Potencial Petróleo Ltda
Credito: Patrícia Amancio

Expansão ganha escala e reforça o protagonismo na agroenergia
Os impactos econômicos também impressionam. A expectativa é de faturamento anual de R$ 20 bilhões até 2030, impulsionado por escala, diversificação e eficiência industrial. Ao final do ciclo, o complexo deverá processar 14.200 toneladas de grãos por dia, o equivalente a cerca de 4,7 milhões de toneladas por ano, com injeção estimada de R$ 6,3 bilhões anuais na economia apenas na compra de grãos. O projeto ainda deve movimentar 117 mil viagens de caminhões por ano, além de fortalecer a logística de escoamento de farelo de soja e DDGS de milho.

Mais do que ampliar a produção, o anúncio reforça um recado claro ao mercado: o Brasil tem escala, tecnologia e capacidade industrial para liderar a agenda global de energia renovável. Ao verticalizar a cadeia e integrar diferentes rotas de produção, o Grupo Potencial avança em eficiência, segurança de suprimento e descarbonização, ao mesmo tempo em que fortalece a posição do país como referência internacional em biocombustíveis.

O novo ciclo de investimentos chega, portanto, como um símbolo de maturidade do setor. Em um cenário mundial que exige mais energia limpa, previsibilidade e robustez industrial, a iniciativa não apenas impulsiona o crescimento da companhia, mas também ajuda a chancelar o Brasil como protagonista real da transição energética.