Compromisso climático, escala produtiva e resultados medidos no campo e na estrada.

A entrevista, concedida ao programa Energia Agro, detalha como o uso de biodiesel puro se tornou uma realidade consolidada dentro do Grupo Amaggi. “Quando começamos o piloto do B100 em 2022, muita gente dizia que daria problema. Não deu”, afirma Ricardo Tomcyzyk, diretor de Relações Institucionais do grupo. O teste inicial, feito com sete máquinas, evoluiu para a primeira fazenda brasileira operando 100% com biodiesel, sem adaptações e sem qualquer registro de falha associada ao combustível.

Segundo Tomcyzyk, o avanço no campo abriu caminho para a adoção do B100 na frota rodoviária. “Testamos dois caminhões e rapidamente ficou claro que era possível ampliar. Hoje, mais de 100 caminhões já saem de fábrica preparados para rodar com biodiesel puro, sem impacto relevante em consumo ou manutenção”, explica. A Amaggi adotou protocolos de manejo e conservação já utilizados para o diesel, garantindo segurança e desempenho.

A estratégia integra o compromisso público da companhia de zerar suas emissões até 2050. “O biodiesel se tornou uma ferramenta central na nossa descarbonização. Substituir o diesel fóssil nas fazendas, no transporte e até na navegação é parte do caminho para chegar ao net zero”, destaca. A empresa também avança em agricultura regenerativa, bioinsumos e geração renovável de energia.

Para Tomcyzyk, o uso do B100 é mais do que uma solução operacional: é um movimento econômico e estratégico. “O biodiesel fortalece a industrialização, sustenta preços da soja e gera desenvolvimento regional. É uma oportunidade para quem produz e para quem consome”, observa. Ele reforça que, em várias regiões, o biodiesel já é competitivamente mais barato do que o diesel fóssil.

Com a proximidade da COP30, a Amaggi vê no B100 uma vitrine do potencial brasileiro em bioenergia. “O Brasil tem a matriz mais limpa do mundo e capacidade de produzir biocombustíveis com alta eficiência. A experiência do B100 mostra que estamos prontos para liderar a transição energética com soluções reais e disponíveis agora”, conclui.